30 de julho de 2020

Campos do Jordão - Deck da Corrida KTR

Autor: Leandro "Montoya"
Imagens: Ale Silva


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INTRODUÇÃO

Decolagem ao lado do mirante do deck de madeira conhecido pela largada das coridas KTR, na "beira" da Serra da Mantiqueira próximo a Campos do Jordão. O acesso a trilha que sobe a serra se dá por estrada vicinal a partir de Pindamonhangaba-SP. O acesso por automóvel é possível a partir de Campos do Jordão-SP. Decolagem em rampa gramada, lindo visual do Vale do Paraíba e, se ganhar 100m da rampa durante o vôo, visual da Pedra do Baú e Morro do Itapeva. Trilha com 3h de duração e mais de 1.000 de desnível.


CONTATO PILOTO LOCAL:
Jefferson "Monstro" (12)99107-0751


A RAMPA

Quadrantes.............: SE  S  SW
Altitude da rampa...: 1.780m
Desnível.................: 1.050m

Localização Coordenadas....: -22.7546611,-45.5040461
Localização Googlemaps....: https://goo.gl/maps/bhZEpSSSJZZuDqgE8

Rampa de decolagem em gramado plano e regular, atenção para linha de árvores e pequenos morros a frente da rampa que podem tornar o ar turbulento. Decolagem ideal para SE e S, mas também possíveis para SO.


A TRILHA

Distância.............: 5,8km
Desnível.............: 1.050m
Tempo médio......: 3h15

Tracklog..............: https://www.wikiloc.com/hiking-trails/hike-and-fly-subida-da-morte-crista-do-camelo-largada-ktr-campos-do-jordao-53509262

O VOO

Decolagem sobre o Vale do Paraíba e com 1.000 de desnível. Vôo de encosta/lift lindo sobre a trilha de ascenção e Morro do Camelo. Visual de incrível da face sul da Serra da Mantiqueira cidades de Pindamonhangaba-SP e Aparecida-SP. Se ganhar um pouco da rampa é possível ver Pedra do Baú, Pico do Itapeva e Campos do Jordão.
Possibilidades de cross pela face da Serra da Mantiqueira e pousar no pouso oficial do Pico Agudo. Vôos de cross ainda a explorar.

O POUSO

Localização pouso Googlemaps....: https://goo.gl/maps/BYaQfZMag2sk5pGf8

Pouso garantido ao lado do pequeno lago e bem próximo aos carros, turbulento se o vento estiver forte. Propriedade particular. Seja respeitoso com o proprietário ao voltar a estrada.

ONDE ESTACIONAR:

Seja respeitoso. É possível pedir aos propritários locais para estacionar em suas propriedades ou deixar os carros nas clareiras ao largo da estrada.

Localização onde estacionar: https://goo.gl/maps/yBiiqufToni3AeKA7

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Visite-nos no instagram: https://www.instagram.com/hike.and.fly/

28 de julho de 2020

Pedra das Flores / Pico do Lopo - Extrema-MG


Por Leandro Montoya.
Cidades de acesso: Joanópolis-SP e Extrema-MG



INTRODUÇÃO

A Pedra das Flores fica na Serra do Lopo, acessível por Joanópolis-SP pelo lado sul ou Extrema-MG pelo lado norte. Este roteiro mostra a trilha completa pelo lado sul, subindo pela "Estrada do Sabão" e pelo lado norte pelo trecho da "Transmantiqueira" acessando a trilha pela pousada Céu da Mantiqueira. Valor do acesso R$20 (valor em Julho/20) com direito a banheiros e piscina. Até a pousada aproximadamente 1h45 de caminhada e após a pousada +45min.


A RAMPA

Altitude: 1.700m
Desnível: 800m
Quadrantes para decolagem: SW - S - SE - E 

Granito sólido e muito amplo, ligeiramente inclinado e muito irregular, os cristais podem romper as linhas do parapente, preste atenção ao penhasco no final da rampa. Decolagem ideal com vento SE, mas também confortável com S ou E. Fácil acesso à área de pouso ao sul.


AS TRILHAS

A trilha sul............: ~11km e ~870m de desnível e 2h30.
A trilha norte.........: ~5,5km e ~950m de desnível e 2h.
A trilha a partir da pousada Céu da Mantiqueira: aproximadamente 2,5km e 35min.

A caminhada para subir desde o lado sul inicia na Rod. Entre Serras e Aguas SP-036 e segue por estrada de terra, basta acessar a estrada do Sabão e seguir as placas "rampas de voo livre". Ao chegar nas rampas de madeira, siga em frente por mais 1km até o estacionamento da pousada Céu da Mantiqueira ao lado das antenas. A partir dali segue pela trilha tradicional da que vai até a Pedra do Cume. É possível deixar o carro na pousada Céu da Mantiqueira e fazer apenas o trecho de trilha com aproximadamente 2,5km e 35min. de caminhada.

A caminhada pelo lado norte tem acesso próximo ao bairro do Garaiúva em Vargem-SP.

MAPA COM TRILHAS E RAMPAS.

O VOO

A Serra do Lopo apresenta grande desnível e se extende por vários km, proporcionando excelente lift e termicas robustas. É possivel sobrevoar a Pedra do Cume e maciço do Guaraiuva no lift curtindo todo visual da represa do Jaguari e Joanópolis. Grande potencial para XC. A Serra do Lopo é um ponto de voo livre clássico.

COMENTÁRIOS ADICIONAIS

A Pedra das Flores tem vantagem sobre as rampas de madeira tradicinais da Serra do Lopo porque o piloto já decola com grande desnível a sua frente, enquanto que nas rampas de madeira o piloto tem que vencer um grande "platô"de mata antes de alcançar o desnível, correndo risco de arborizar em dias de vento forte.

Mini Documentário: História do vôo livre em Monte Verde- MG

O vôo livre nasceu em Monte Verde graças aos irmãos Chris e John Boettcher.

Nascidos na cidade, aprederam a voar na Nova Zelândia e depois trouxeram as técnicas de hike and fly para voar nas montanhas onde cresceram!

Conheça esse capítulo da história do vôo livre de montanha no Brasil no mini-documentário e confira esse lugar incrível para voar!

Sobrevoando Monte Verde com os irmãos Boettcher


10 de julho de 2020

Transmantiqueira caminhando e voando

Texto: Leandro Estevam "Montoya"
Entrevista: Fabio Ferreira "Pé"
Julho 2020


Fabio Ferreira pronto para decolar da Pedra da Mina, no sexto dia da Transmantiqueira

Uma expedição de 340km no modelo voo de bivouac!

A Transmantiqueira, trilha de longo curso que passa pelos principais picos da Serra da Mantiqueira, foi percorrida caminhando e voando de parapente. O piloto e montanhista Fabio Ferreira iniciou a expedição na Pedra Grande, em Atibaia, Estado de São Paulo, e terminou o trajeto de 340km em 6 dias, ao decolar na Pedra da Mina, em Passa Quatro, em Minas Gerais.

A cada dia Fábio subiu uma montanha para decolar de parapente com o objetivo de voar o maior trecho possível da trilha em direção à montanha do dia seguinte. Após pousar nos vales e vilarejos, comia alguma coisa, escolhia um ponto de acampamento para passar a noite, dormia, e recomeçava tudo na manhã seguinte. Esse modelo de expedição é chamado de “vôo de bivouac”: o aventureiro leva o mínimo necessário na mochila para ser leve, rápido e, dentro do possível, auto-suficiente.

Movendo-se apenas pelas pernas, ventos e térmicas, Fábio passou pela Pedra Grande, Pico do Lopo, Pico do Selado, Pico da Onça, Pedra do Baú, Pico dos Marins, Itaguaré e Pedra da Mina, para então terminar a expedição no Vale do Paraíba na cidade de Cachoeira Paulista.

Fábio Ferreira, também conhecido como “Pé”, tem 40 anos e é natural de São Paulo. Montanhista e ciclista desde a adolescência, já escalou mais de 11 cumes com mais de 6.000m nos Andes. Iniciou no vôo livre em 2014 e passou a voar na Mantiqueira, território explorado por ele a pé ou de bicicleta. Fábio também realizou expedições e vôos nos Alpes.

Conheça essa história na entrevista exclusiva:


Voar a Transmantiqueira! De onde saiu essa idéia?

A idéia surgiu em conversa com os amigos e parceiros de vôo Christian e John Boettcher, de Monte Verde-MG. Eles comentaram da possibilidade de conectar os picos da Mantiqueira voando. Quando mais novo eu já tinha feito a travessia da Serra Fina, Travessia Marins Itaguaré, escalado na Pedra do Baú e visitado muitas das montanhas da Transmantiqueira. Eu também já tinha feito as conexões entre uma montanha e outra de bicicleta. Quando comecei a voar, mesmo ainda inexperiente, passei a sonhar com chance de conectar todos esses lugares maravilhosos da Mantiqueira em uma única expedição.
Voando sobre a classica travessia Marins-Itaguaré, depois de decolar do Pico dos Marins

Porque não foi voando o trecho todo?


Aqui cabe um esclarecimento, não funciona assim, o parapente é um planador, perde altitude ao “voar”, não tem auto-propulsão e depende do clima, da sorte e da perícia do piloto para fazer vôos longos. 
O desafio é encontrar as termais, grandes colunas naturais de ar quente ascendente e manter o parapente voando “dentro” delas para subir o máximo possível. Quando chega a máxima altitude, o piloto parte à procura da próxima termal. Se não a encontrar, ele pousa após alguns minutos e o vôo termina.

Como foi o planejamento?

Não foi como eu esperava. Saí de casa naquela manhã do primeiro dia para voar na Pedra Grande como faço normalmente, eu estava entusiasmado porque a previsão do tempo mostrava um dia ótimo para vôo longo, pensei em tentar voar até Extrema, que fica uns 40km de casa. Acontece que tive medo de não ter ônibus para voltar para casa à noite, estávamos na expectativa da quarentena, então por precaução peguei meu equipamento de Bivouac (equipamento mínimo para pernoite em área selvagem).O dia foi tão espetacular e voei até Extrema, passei por cima da Serra do Lopo e continuei engatando nas termais até Monte Verde! Aliás esse era um vôo que eu queria MUITO fazer e nunca tinha conseguido. Depois desse início inesperado e incrível, decidi tentar continuar a rota da Transmantiqueira nos dias seguintes!


Bivouac perto da Pedra do Baú 

Onde você dormia e o que você comia?

Quando pousei em Monte Verde no final do primeiro dia, encontrei com meus amigos irmãos Boettcher e tive casa e comida na residência deles. Os demais dias tiveram uma rotina mais ou menos assim: eu procurava pousar perto de um vilarejo ou cidade onde eu fazia uma refeição completa. Depois, seguia caminhando em direção ao ponto de decolagem do dia seguinte e escolhia um local para acampar pelo caminho. Levava comigo salame, queijo e água para o café da manhã. Tomava banho nos ribeirinhos e cachoeiras.


Então você andava um bom trecho todos os dias?

Sim, todos os dias caminhava antes e depois do vôo, do percurso total de aproximadamente 340km, caminhei uns 150km e voei o restante.
A rampa da Pedra do Baú com o Bauzão ao fundo à esquerda

Você fez o percurso todo sozinho?

Fiz o Transmantiqueira sozinho, mas estive muito bem acompanhado! Os amigos ficaram sabendo da empreitada e vieram voar trechos comigo: Voei em Atibaia com Edu Morais e em Monte Verde decolamos Chris e John Boettcher e Jefferson Estevam. Em Piranguçu o piloto Clóvis me passou várias dicas de rotas. O Pico dos Marins foi quase uma expedição, encontrei com Ricardo Rui, Jé “Monstro”, Hugo e Kaynã, por fim na Pedra da Mina voamos juntos Jé “Monstro” e Vinicius.Foi muito legal encontrar a turma para as caminhadas e vôos, dava um incentivo, eles ficaram me perguntando quantos dias eu estava sem banho (rs).
Dia 2 - Pilotos Chris, John e Fábio aguardando para decolagem em Monte Verde-MG no dia 2 da Transmantiqueira
Ricardo Rui, Jé "Monstro", Kaynã Rodrigues e Hugo Shimada acompanharam Fabio no Pico dos Marins.

 Qual foi o maior perrengue?


Bivouac no dia 5, a caminho do Pico dos Marins
Sem dúvida a passagem do quarto para o quinto dia. Decolei em Piranguçu-MG e tinha o objetivo de chegar o mais perto possível do Pico dos Marins, porém acabei pousando perto de Wenceslau Braz. Não encontrei lugar para refeição completa, tive que me virar com uns lanches de mortadela e uns pastéis. Rachei 27 km no hike até o acesso à estrada de terra para Pico dos Marins, foram 6h de caminhada. Encontrei um rancho e montei meu equipamento de bivouac antes que caísse meu disjuntor e eu dormir lá pelas 23h, fez muito frio naquela noite. A manhã seguinte ainda caminhei mais 15km até a base do Pico dos Marins para iniciar o hike até o cume com meus amigos.

O que mais te emocionou?

O inicio e o final! Quando pousei no último dia, depois de decolar da Pedra da Mina, as lágrimas desceram, é muito gratificante realizar um sonho aqui na Mantiqueira, essas são nossas montanhas, lugar onde passei momentos felizes durante toda a vida. O primeiro vôo de Atibaia até Monte Verde foi também muito especial, eu já tinha tentado fazer esse vôo várias vezes nos últimos anos e nunca tinha dado certo. Dessa vez consegui ir aproximando da cidade voando alto e, entre uma térmica e outra, mandei uma mensagem para o John dizendo - hoje vai, me espera aí! - . Quando cheguei no aeroporto da cidade (hoje desativado) John, o amigo que me inspirou a voar em 2014, estava me aguardando lá embaixo. Ele botou uma fé que eu ia conseguir chegar, foi emocionante. Celebramos com cerveja!


 Dia 1- Chegando em Monte Verde após decolar da Pedra Grande em Atibaia.



Dia 1- Pousando no aeródromo de Monte Verde-MG. Imagens: John Boettcher

Como lidou com a quarentena?

Muitas cidades ainda não haviam estabelecido a quarentena e tive pouquíssimo contato com os locais. Dormi isolado no mato. Mantive o distanciamento social.

Qual era seu plano de emergência?

Levei comigo um spot caso ocorresse algum acidente grave. Conservei a bateria do celular ligando apenas quando precisava. Foi tudo tranquilo, dormir por aí não era um problema porque eu conhecia a região. Eu também tinha o paraquedas reserva para o caso de alguma pane em vôo. 

Qual a maior lição que você aprendeu?

Fluiu tudo muito bem na viagem, os dois primeiros vôos ajudaram muito a preencher um grande percurso. O que aprendi é que fazer uma trip de bivouac não é um bicho de sete cabeças, pelo contrário, é bem simples na verdade. Eu preciso melhorar um pouco meu saco de dormir porque passei um pouco de frio à noite, é preciso dormir bem. 

Dia 5 - Caminhando em direção ao campo base do Pico dos Marins.



Decolagem na Pedra da Mina a mais de 2.790m.  Vinicius Rodrigues


Lista de equipamentos:

Saco de dormir 600g conforto 13o
Bolsa de Bivouac
Metade de um isolante térmico
Spot
Power bank
Headlamp
Escova e pasta de dentes
Celular e carregador
Variômetro
Rádio
Roupa do corpo
Papel higiênico
Garrafa 1,5 de água por dia 
Capa de Chuva da mochila

ROTEIRO GERAL

DIA 1 - Atibaia-SP a Monte Verde-MG
DIA 2 - Monte Verde-MG a São Bento do Sapucaí-SP
DIA 3 - São Bento do Sapucaí-SP a Piranguçu-MG
DIA 4 - Piranguçu-MG a Pico dos Marins-SP
DIA 5 - Pico dos Marins - Fazenda Paiolinho
DIA 6 - Fazenda Paiolinho - Pedra da Mina e Voo para o Vale do Paraíba.

Voando em direção nordeste na crista de Monte Verde-MG, a direita, encoberto, o vale de Santa Barbará próximo a São Francisco Xavier


29 de junho de 2020

Cedar Wright voa 400km em dois dias!

Autor: Ale Silva

Confira o relato do piloto Cedar Wrigth, referencia global como montanhista e escalador que há alguns anos vem se dedicando ao parapente e hike and fly!


Recentemente, consegui pilotar meu parapente por um total de mais de 400 km em dois dias consecutivos de aventura épica.  
O primeiro dia começou em Nevada, em um decolagem remota e pouco explorada numa montanha, chamada "New Pass Peak”. 
Decolei nervoso, mas empolgado, sabendo que as montanhas de Nevada são extremamente remotas, mas excelentes para o parapente. 
Em pouco tempo, ganhei altitude em termais que me levaram a mais de 6.000 metros, surfando nas nuvens e pulando entre cordilheiras acidentadas, enquanto desfrutava de pequenos sopros de ar do meu sistema de oxigênio, que utilizo em grandes voos como este.  
Em um ponto, no meio das 8 horas de vôo, fiquei tão baixo que pensei em pousar em cima de um platô remoto, mas de alguma forma consegui me esquivar da miséria de uma longa caminhada no sol do deserto, e usando de todas as habilidades que venho adquirindo nesses últimos 5 anos de treinamento obsessivo de parapente, consegui retomar o vôo ao subir de pouco mais de 100m do chão, para 2133m em uma térmica turbulenta.  
Sentimentos de gratidão, realização surreal tomaram conta de mim enquanto eu deslizava pela última vez ao pôr do sol, sabendo que havia maximizado o potencial do dia.  
Ainda melhor, eu tinha melhorado meu recorde pessoal de distância em mais de 240 km. Passei o dia tomando milhares de decisões estratégicas para aproveitar a energia térmica do dia, mas, ao desembarcar, tirei um momento para agradecer conscientemente a beleza e a aventura ultrajantes do voo.  
No dia seguinte, cansado, mas motivado, consegui outro vôo de 160km de Utah para Wyoming. 
O parapente pode ser um esporte estressante, mas se você consegue controlar o estresse e permanecer no jogo, pode pousar muito longe ... é totalmente louco! Voltei para Boulder exausto e saciado. Agradecendo muito a @hempfusion pelo apoio e suplementos que tenho tomado.


 



@Postado originalmente no Facebook de Cedar Wright.