19 de julho de 2019

X-PEDRA 2018

CONFIRA AS FOTOGRAFIAS DO X-PEDRA 2019


CONFIRA NO LINK abaixo AS FOTOGRAFIAS DO PRIMEIRO EVENTO DE HIKE AND FLY DO BRASIL:


Créditos: Arthur "Pardal"

----------------------------------





Inspirada nas provas da Europa, o X-Pedra 2019 é uma competição no formato de corrida de montanha com deslocamento a pé ou com parapente. Os pilotos deverão cumprir 7 pontos de passsagem no menor tempo possível, correndo ou voando!

Um evento independente com propósito de confraternização, realizado pela comunidade de voo livre que reunirá a pilotos montanhistas na cidade de Atibaia. 




Data: 27 e 28 de JULHO de 2019
Local: Atibaia-SP
Vagas limitadas a 50 participantes (Atual 40 inscritos)
Valor da inscrição após aprovação do candidato: R$50



- O EVENTO

- REGULAMENTO

- INSCREVA-SE

- PREMIAÇÃO

- LISTA DE INSCRITOS!


PATROCÍNIO:






APOIO:






X-PEDRA 2019 - RETA FINAL!




1) DOWNLOAD WAYPOINTS (PILÕES)


Baixe AQUI os pilões da prova e instale em seu aparelho de GPS.

2) FAÇA O PAGAMENTO DA INSCRIÇÃO

---------------------------------
DADOS PARA PAGAMENTO

VALOR....: R$50,00 + seu número de inscrição em centavos (Ver tabela enviada por e-mail)
BANCO...: SANTANDER
CC...........: 01017081-0

FAVORECIDO....: EDUARDO MORAIS
CPF.....................:171324048-30
----------------------------------

Se voce não sabe o número de inscrição, pode fazer a transferencia/ depósito e enviar o comprovante para hikeandfly.br@gmail.com informando o nome completo


3) AGUARDE CONFIRMAÇÃO DA PROVA 


Por conta da previsão do tempo inapropriada para voo, a prova foi reagendada para 27 e 28 de JULHO de 2019.

1 de abril de 2019

Entrevista Exclusiva com equipe brasileira no desafio de decolar de parapente do cume do Everest

Texto: Tite Simões
Imagens: Rodrigo Raineri e Mauro Chies
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------



Voo rarefeito

Equipe brasileira parte para o desafio de decolar de parapente do cume do Everest

A aventura humana não tem limites. Quando o mundo prendeu respiração ao ver o americano Alex Honnold escalar sem corda os quase 1.000 metros do El Capitain, em Yosemite, Califórnia, ninguém poderia imaginar um desafio mais ousado.

Mas o Homem não enxerga limites e agora chegou a vez de um montanhista tentar uma aventura sem precedentes entre sul-americados: Rodrigo Raineri pretende decolar do cume do Everest, a montanha mais alta do mundo, com 8.458 metros com um parapente. Se alguém achava a escalada do Everest difícil e desafiadora, agora imagine isso levando um parapente nas costas com objetivo de decolar no ar rarefeito!

– O grande desafio será chegar no cume inteiro para voar – desabafou o paulista Raineri, 49 anos, engenheiro de formação. Segundo ele, “tem toda dificuldade natural da escalada no Everest, mas depende muito das condições de vento, clima e um frio extremo”, concluiu em entrevista exclusiva para Hike and Fly Brasil.

Além de Rodrigo, a equipe terá apoio de Mauro Chies, montanhista e experiente piloto de parapente e será totalmente documentada pelo cinegrafista Julio Blander. Na verdade já começou! Eles partiram dia 24 de março para dar início à aclimatação, treinos e preparativos. O plano é praticar hike and fly em alguns picos menores para depois partir para o grande voo do cume do Everest.

Segundo explicou em uma longa conversa, Raineri descreveu o que acredita serem os momentos de maior preocupação:

– O primeiro crux é a cascata de gelo do Khumbu que é um trecho muito mais perigoso do que propriamente difícil, porque hoje tem as escadas e cordas fixas. A ideia é passar rápido para reduzir a exposição ao risco.

– Depois vem toda a subida, passar pelo escalão Hillary (8.848 metros) e alcançar o cume ainda inteiro para voar!

– Aí sim começa o maior desafio, porque vou precisar abrir o parapente, ter cuidado para os cabos não enroscarem nas pontas de gelo e descobrir – na prática – como é voar no ar rarefeito! Ninguém fez isso, não tem como chegar para alguém e perguntar “como é voar no ar rarefeito?”. Terei de descobrir na hora! São muitas variáveis que teremos de lidar ali na hora, sem referências e isso é emocionante!

Então, quem não conhece o Rodrigo poderia imaginar “nossa, o cara vai se jogar de quase 9.000 metros sem saber como é voar no ar rarefeito”, mas essa é justamente a parte que ele mais deseja:

– Ser o primeiro a realizar uma atividade é o mais legal! Descobrir na hora como é, o que fazer, como fazer, essa é a parte da verdadeira conquista! Desabafou Raineri, um dia antes de partir com todo material.

Pensa que acabou? Tem mais! “Depois que entrar em voo tem outros desafios, o maior deles será o frio, que pode até causar um congelamento de extremidade (dedos, nariz), mas nada grave”, explicou. De acordo com ele, “como o voo deverá ser rápido, esse tipo de congelamento não chega a ser um impedimento, o maior problema seria a perda da sensibilidade nas mãos, o que poderia prejudicar o controle dos batoques do parapente”, justificou.

Rodrigo espera que depois dos primeiros 10 a 15 minutos de voo a temperatura deverá ser menos extrema e a ideia é fazer um voo rápido, “mas não menos intenso, porque terei de enfrentar as turbulências normais de um voo no Himalaia. Quem voa conhece as dificuldades de um voo em cordilheira, com áreas de rotor, vento de vale, térmicas, cisalhamento e finalmente pousar inteiro. Posso garantir que as condições serão bem ‘cascudas’ por lá”.

Enfim, ele aposta que o grande crux de toda expedição será mesmo a decolagem, apesar de afirmar categoricamente que tudo é muito difícil. “Escalar o Everest é difícil, a decolagem será igualmente difícil e pousar também! Ou seja, tudo é um enorme desafio”.

Os preparativos começaram na cidade de Pokhara, no Nepal, onde serão checados todos os equipamentos e passarão pelo período necessário de aclimatação à altitude. De lá partirão para Lukla, onde começa a caminhada para o campo base do Everest. Neste trecho, Rodrigo e Mauro Chies pretendem escalar o Labouche East (6.119m) como parte do treinamento. A escalada do Everest está prevista para meados de maio, quando a janela de tempo bom assim permitir.

Você irá acompanhar toda essa aventura aqui mesmo no Hike and Fly Brasil.
-

Em 1988 Jean-Marc Boivin, francês, saltou de parapente de 8035m no Monte Everest.

#alpinistarodrigoraineri #maurochiesmontanhista #everest2019 #CPqD #4bio #br3engenharia 
#clinicavisaoserra #destinosinteligentes 
@guilhermebenchimol #institutotratacampinas #ciaathleticacampinas #spalapinha #thulebrasil #feinkost #soloequipentos #solparagliders #abmar #actionbrasiltv
#olhosnoeverest2019
#danielcadynutricaopersonalizada #spot #INAV #ABP

18 de março de 2019

Um Brasileiro de Parapente no Everest

Texto: Mauro Chies
-----

Rodrigo Raineri, Mauro Chies e Julio Blander (cinegrafista) partem para o Nepal no próximo dia 24 para tentar decolagem de parapente da maior montanha do Mundo!





Expedição Everest 2019

A expedição Everest 2019 tem por objetivo atingir o cume da maior montanha do planeta, o Monte Everest (8.848m) pela via “normal" conhecida como Face Sul, no Nepal.

O montanhista Rodrigo Raineri pretende descer do cume da montanha voando seu parapente especial para esse propósito enquanto o montanhista Mauro Chies (tambem um piloto experiente de parapente) o auxiliará na decolagem e descera pela via normal com os sherpas.
O cinegrafista da expedição ira documentar tudo do campo base com equipamento especial de longo alcance.

O deslocamento da expedição iniciará no dia 24/03/2019 com a partida do Brasil desde Sao Paulo com destino a Catmandu no Nepal.
Uma vez no Nepal os participantes irão iniciar a aclimatação e checagem de equipamentos e suprimentos. Inicialmente isso será feito na cidade de Pokara onde Mauro e Rodrigo irão realizar alguns “hike and fly”, ou seja, caminhadas de montanha e consequente voos de parapente da mesma.

Após a etapa de Pokara a expedição ruma para Lukla, onde deve começar a lenta caminhada rumo ao campo base do Everest. No meio do caminho Mauro e Rodrigo pretendem escalar o Lobouche East.

Uma vez no campo base os ciclos de aclimatação se darão da maneira usual e em meados de Maio os montanhistas pretendem atacar o cume na janela de bom tempo apropriada.

Terminada a etapa da montanha, a expedição retorna pela via usual até Lukla, Catmandu e de lá para o Brasil.

Integrantes:

Mauro Chies - Brasil
Rodrigo Raineri - Brasil
Julio Blander (cinegrafista) - Brasil


Abaixo os canais dos montanhistas:

Rodrigo Raineri
https://www.rodrigoraineri.com.br/pt/

Mauro Chies
http://www.maurochies.com.br
https://www.facebook.com/MauroChiesMontanhista
https://www.instagram.com/maurochiesmontanhista/

Patrocinador Mauro Chies:  Clínica Visão Serra

15 de março de 2019

Red Bull X Alps anuncia rota com Eiger e Mont Blanc

Texto: Tite Simões
Imagem: Red Bull X-Alps 2019




Serão 1.138 km de percurso entre Salzburg e Mônaco na mais difícil competição de aventura do mundo!


- Vai ser no quintal de casa! Assim o brasileiro Gui Pádua festejou a anúncio do roteiro da 16a edição do Red Bull X Alps, competição de aventura que reúne corrida, montanhismo e parapente. Segundo o brasileiro, que treina frequentemente em Chamonix (FRA) e Lauterbrunnen (SUI) “vai ser um roteiro bem louco, difícil, mas com muita beleza natural”.

O Red Bull X Alps é uma competição realizada a cada dois anos, considerada a prova de aventura mais difícil e cenográfica do mundo, sempre com largada em Salzburg (AUT) e chegada em Mônaco. Em 2019 o roteiro será ainda mais difícil por conta da condição climática que ainda se apresenta nos Alpes. Segundo Gui Pádua – que vai integrar a equipe France 3 como apoiador – “parece que teremos muita neve, porque neste momento já deveria estar derretendo, mas o clima continua muito frio e os voos serão gelados”.

O ponto alto (literalmente) do roteiro serão duas das montanhas mais emblemáticas da Europa, o Eiger, na Suíça, com 3.970 metros e o charmoso Mont Blanc, na França com 4.810 metros, este o mais alto dos Alpes.  Estas montanhas estão no alvo da maioria dos montanhistas e aventureiros do mundo e não terão painel de assinatura dos competidores, ou seja, eles podem passar voando a uma distância pré determinada.

De acordo com o regulamento serão 13 “turnpoints” (passagens obrigatórias) por seis países. Porém nem todos tem um painel de assinatura (signboard), o competidor pode passar voando, mas tem obrigatoriamente de ser a uma distância ou rota determinada pela organização do evento. No caso do Eiger pode passar a um raio de 1.500 metros do turnpoint marcado pelo GPS. Já o Mont Blanc deve ser passado pela face norte. Isso significa que o piloto de parapente pode saltar de outra montanha, mas deve sobrevoar estes dois pontos obrigatórios pelo regulamento.

Para 2019 o Red Bull X Alps terá os seguintes turnpoints (TP)



Largada: Salzburg, Áustria
TP 1: Gaisberg, Áustria (Signboard*)
TP 2: Wagrain-Kleinarl, Áustria (Signboard)
TP 3: Aschau - Chiemsee, Alemanha (Signboard)
TP 4: Kronplatz, Itália (Signboard)
TP 5: Lermoos – Tiroler Zugspitz Arena (no ponto mais alto passagem pelo norte; na base tem o Signboard)
TP 6: Davos, Suíça (Signboard)
TP 7: Titlis, Suíça (Signboard)
TP 8: Eiger, Suíça (passagem num raio de 1500m)
TP 9: Mont Blanc, França (passagem pela face norte)
TP 10: St. Hilaire, França (Signboard)
TP 11: Monte Viso, Itália (passagem num raio de 2.250m)
TP 12: Cheval Blanc, França (passagem pela face Oeste)
TP 13: Peille, França (Signboard)
Chegada: Mônaco
Signboard = quadro de assinaturas

Com largada prevista para o dia 16 de junho, esta edição da X Alps terá 32 atletas, sendo duas mulheres, de 20 países, que terão de percorrer uma média de 100 km por dia nas seguintes modalidades: corrida a pé, corrida de montanha, escalada, trekking e parapente. Cada atleta tem de percorrer as trilhas pelos Alpes e pode, a qualquer momento que achar viável, continuar voando de parapente.

Pela primeira vez esta competição terá a participação de um brasileiro na equipe de apoio, Gui Pádua, mineiro de 44 anos, campeão mundial de skysurf e recordista de travessia dos Alpes correndo a pé.  Ela participará como apoiador na equipe francesa, responsável por ajudar tanto o atleta francês, Anoine Girard, quanto os demais membros da equipe.


E você poderá acompanhar essa louca aventura aqui mesmo pelo Hike&Fly Brasil, fique de olho!

11 de março de 2019

Conheça o Red Bull X-Alps, competição que reúne hiking e parapente e que terá um brasileiro em 2019!

Texto: Geraldo Tite Simões
Imagens: Guilherme Padua

-----

Radical vezes cinco!



Guilherme Padua faz parte da equipe de Antoine Girard

Montanhismo é cansativo. Corrida na montanha é uma forma radical de curtir os pontos altos da natureza. Mas se misturar tudo isso com um voo desafiador de parapente nas mais belas montanhas da Europa aí temos o Red Bull X-Alps, uma competição  de 1.100 km por seis países, criada para superdotados, que em 2019 terá um brasileiro: Gui Pádua, 44 anos, mineiro de Pratápolis, hiker, paraquedista e campeão mundial de skysurfe.

- É uma prova casca grossa, exige experiência, resistência, não é pra qualquer um – explicou Gui Pádua, que integrará a equipe France 3, fazendo o papel de suporte do atleta Antoine Girard, quarto colocado nesta prova em 2015. “Minha função será acompanhar de perto o atleta, levar barraca, fazer comida, dirigir o carro de apoio e tudo mais que precisar!”, declarou entusiasmado o brasileiro que bateu o recorde de travessia da Suíça correndo a pé pelos Alpes.

Essa competição é realizada a cada dois anos e envolve cinco modalidades: corrida a pé, hiking, corrida de aventura, montanhismo e parapente, com largada em Salzburg (Áustria) e chegada em Mônaco. Cada participante tem de percorrer uma média de 100 km por dia, encerrando a difícil jornada com um voo até a bandeirada final. Nesta hora entra em cena o imponderável fator clima. Se não tiver condição de voo o competidor deve cumprir o percurso a pé ou dormir na montanha até esperar uma condição ideal de decolagem!

Segundo os próprios atletas esta é a mais difícil corrida de aventura do mundo, porque exige tanto física quanto mentalmente. É normal a desistência por esgotamento psicológico. Para Gui Pádua “o treinamento é físico é essencial, mas o que mantém o atleta é a força mental, ser capaz de se superar a cada dia”.

De acordo com o regulamento, os competidores não tem meta diária, vence quem chegar primeiro em Mônaco e esse tempo pode levar de 7 dias (recorde) até 14 dias, que é o tempo máximo. Um dos fatores que mais contribui para a diferença de média horária é a condição de vento. “Se os ventos estiverem na direção da meta, em Mônaco, pode reduzir bem o tempo total, mas se estiverem contra o ritmo fica comprometido”, explica Gui Pádua.

Outra curiosidade dessa competição é que os atletas não têm um roteiro definido, apenas são obrigados a passar por pontos pré-determinados. Cada um escolhe por onde e qual montanha vai subir, assim como o ponto de decolagem, mas devem passar por sete pontos obrigatórios que ficam registrados no aparelho de GPS. Essa é uma grande sacada dessa competição: cada atleta leva um aparelho de GPS com telefonia por satélite e os fãs podem acompanhar seu atleta favorito (ou mais de um) em tempo real!

Em 2019 já foram confirmados 32 atletas de 20 países, com idade média de 35 anos. O roteiro ainda não foi definido, porque muda a cada edição. A largada será dia 16 de junho, mas os competidores só saberão o roteiro no dia 12 de março. Claro que assim que for revelado vamos publicar  aqui no Hike & Fly.

Para ver como foi a prova de 2017 clique AQUI.

15 de fevereiro de 2019

AM - PICO DA NEBLINA (YARIPO)

Nos braços do vento

Texto: Geraldo "Tite" Simões
Imagens: Beto "Gol", Myka Will, Branco "Shock", Hamyla, Montoya

------------------

Dois amigos montanhistas e pilotos de parapente realizam dois feitos inéditos no Pico da Neblina.


Pensar em uma aventura inédita no século 21 é um desafio. Quase tudo que pode desafiar os limites já foi realizado. Mas sempre tem alguém buscando ser pioneiro em algo grandioso e foi isso que moveu os paulistas Leandro “Montoya” Estevam e Myka Will, experientes montanhistas e pilotos de parapente. Em janeiro deste ano eles se tornaram os primeiros a voar de parapente do ponto mais alto do Brasil e também de montar o slackline mais alto do País. Para conseguir esse feito eles primeiro tiveram de enfrentar o maior de todos os desafios: a autorização!

O Parque Nacional do Pico da Neblina, que abriga 13 povos indígenas e a montanha mais alta do Brasil, em plena floresta amazônica, está fechado para visitação de turistas desde 2002, em função de conflitos com garimpeiros de ouro. Uma tristeza para os montanhistas brasileiros e estrangeiros que sonhavam em escalar o Pico da Neblina, com 2.994m de altitude. Eram permitidas apenas expedições militares e científicas.

Para conseguir realizar esse desafio foram necessários seis meses de preparação, além de autorizações especiais. Tudo começou com o engajamento dos índios Yanomamis, que criaram um programa batizado de Yaripo – Ecoturismo Yanomami. Yaripo é o nome dado ao Pico da Neblina pelo povo local e significa Montanha do Vento.

– Nossa aventura serviu como uma espécie de balão de ensaio para a reabertura do Pico da Neblina ao turismo ainda em 2019 – explicou Leandro Montoya, 38 anos, gerente de negócios durante a semana, escalador e piloto de parapente nos fins de semana. Segundo ele, o Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio) apresentou à Funai o Plano de Visitação Yaripo que espera trazer vantagens sociais, ambientais e econômicas à região.

Os verdadeiros protagonistas do projeto Yaripo, são os Yanomami, que começaram essa iniciativa há mais de sete anos e prevê expedições formadas e guiadas pelos eles, gerando renda e visibilidade para a etnia. Os Yanomami conseguiram apoio da AYRCA (Associação Yanomami do Rio Cauaburis), ICMBio, FUNAI (Fundação Nacional do Índio), ISA (Instituto Sócio Ambiental) e outras entidades. Receberam formação em ecoturismo e estão prontos para atender os visitantes. De acordo com o guia Beto Góes Yanomami, o “Gol”, “o projeto Yaripo pretende valorizar nossa cultura e proteger o meio ambiente de forma sustentável e inteligente”.

Barco, 4X4, caminhada...

Plato a aproximadamanente 2.000m de altitude, ao fundo o Pico da Neblina (Yaripo)

O Pico da Neblina está bem perto da fronteira com a Venezuela, na Serra do Imeri, no seio da Floresta Amazônica, um pouco acima da linha do Equador no Estado do Amazonas. A Serra do Imeri é um grande maciço formado por um platô central cercado por uma coroa de picos mais altos. O Pico da Neblina com 2.994m e o Pico 31 de Março, são os mais altos da serra.

Como parte do projeto de exploração sustentável, os Yanomami vêm realizando expedições experimentais do projeto Yaripo e melhorando a infraestrutura para visitação. Por exemplo, conseguiram autorização para a instalação de degraus de apoio nos pontos mais verticais da escalada, já próximo ao cume e a instalação de uma antena de rádio que permite a comunicação com a comunidade de Maturacá.

A expedição experimental MYKA foi realizada em janeiro de 2019, seguiu as especificações do projeto Yaripo, no que diz respeito a infraestrutura e roteiro, e serviu de experiência e inspiração para futuros aventureiros que visitarem o parque após a abertura.

Mais do que simplesmente escalar até o cume,  essa expedição culminou com a primeira decolagem de parapente e linha de slackline na montanha mais alta do Brasil, porém estas atividades foram realizadas em caráter de experiência e ainda não fazem parte do projeto original.

Para alcançar o objetivo foi formada uma equipe com sete membros: os paulistas Myka e Montoya, montanhistas e pilotos de parapente. Três Yanomami: o guia Beto “Gol” e os portadores Francisco e Amâncio; e dois moradores de São Gabriel da Cachoeira: Branco “Shock”, o cozinheiro e responsável pela logística e Hamyla, enfermeira das comunidades indígenas, de etnia Baré.



Essa expedição ao Pico da Neblina, ou Yaripo, nos moldes do projeto, seguiu um roteiro programado para dez dias, com o seguinte cronograma:

Dia1 – De São Gabriel da Cachoeira (AM) para Aldeia de Maturacá, em veículos 4x4 e lanchas “voadeiras”.
Dia2 – De Maturacá até Foz do Tucano, em lanchas voadeiras. Ponto onde atraca o barco e inicia a caminhada.
Dias 3, 4 e 5 – Caminhada na mata amazônica, partindo de 100m para 2.000m, chegando ao acampamento base no platô do Pico da Neblina.
Dia 6 – Ataque ao Cume e retorno ao acampamento base.
Dia 7, 8 e 9 – Caminhada de volta a Foz do Tucano para pegar a “voadeira” e chegar em Maturacá
Dia 10 – Retorno de Maturacá para São Gabriel da Cachoeira.

Como essa primeira expedição experimental previa o encerramento em grande estilo, com o voo de parapente, a Expedição Myka foi um pouco diferente, com duas noites no cume para aumentar as chances de encontrar tempo bom para o voo.

Sobe, sobe e sobe mais

Caminhada até o cume do Pico da Neblina
Esqueça os acampamentos “domesticados”. Na Amazônia toda a estrutura é mais roots e pensada em proteger da chuva, mosquitos e várias espécies peçonhentas. São usadas estacas de madeira, nas quais se armam redes e uma jirau para isolar da umidade. Para completar é estendida uma lona que funciona como telhado de duas águas por cima das redes. Fica parecendo algo como uma casa sem paredes. Quase todos os acampamentos têm espaço suficiente para armar barracas, caso o turista não seja adepto das redes.

A caminhada até a base do Pico da Neblina leva de seis a oito horas por dia para cumprir entre 11km e 13km, dentro de ambiente bastante úmido e quente, até com relativamente poucos insetos. O chão é escorregadio, composto por folhas acumuladas por cima de raízes e quase não se vê o sol por conta das grandes árvores. Nesta jornada esperava-se muita chuva, mas ela apareceu mais à noite, deixando as caminhadas um pouco mais secas e menos cansativas.

Para repor as energias, a alimentação ficou toda a cargo do cozinheiro Branco “Shock” e contou com feijão, arroz, charque, linguiça e, não podia falta, farinha, tudo acompanhado de refresco. Como norma de segurança e evitar incêndios acidentais, são usados fogareiros ou mesmo fogueira, mas sempre com orientação dos guias. Já a higiene é feita nos igarapés, as vezes em pocinhos maiores, na base do banho de caneca.

Acampamento Base do Pico da Neblina
O cenário muda bastante quando se chega ao platô: a temperatura cai muito, as árvores ficam bem menores, caminha-se sobre pedras e lama funda e mole com muitas bromélias. Diferentemente dos campos de altitude da Serra da Mantiqueira, o platô tem muita umidade proveniente da floresta amazônica e conta com palmeiras e árvores.



Essa caminhada termina no acampamento base no platô, já a aproximadamente 2.100m de altitude, a oeste do Pico da Neblina, bem perto da rota de ataque final ao cume. Neste acampamento base não tem espaço para barracas, apenas para redes, e foi posicionado para que os turistas possam sair dali, atacar o cume sem peso e voltar no mesmo dia. Um dos lemas dos montanhistas é: tempo é segurança. É importante estar leve e rápido.

O ataque ao cume é uma longa jornada partindo dos 2.100m até os 2.994m, que dura de três a cinco horas (dependendo do peso), passando por campos de bromélia, charcos e trechos de “escalaminhada”. Montanhistas da região sudeste instalaram degraus nos pontos de maior exposição onde antes haviam cordas, criando uma via ferrata para mais segurança dos visitantes.

Cume do Pico da Neblina (Yaripo)

Importante saber que o cume comporta apenas duas a quatro barracas, mas é relativamente amplo e abaulado, de modo que o visitante não se sente exposição. A leste do cume está a floresta amazônica e a oeste o platô; a face leste é bastante vertical, com um desnível assustador já que a floresta está 2.894 metros abaixo do cume!

Enroscado na decolagem 


O ponto alto – literalmente – ainda estava para realizar: a primeira decolagem de parapente da história do Pico da Neblina. Para conseguir era preciso encontrar uma condição rara de ventos e visibilidade. O nome do pico não é à toa. Boa parte do tempo ele está encoberto e castigado por ventos fortes. Para encontrar as condições ideais era preciso acordar bem cedo e ser rápido com a operação. Tudo deu quase certo, mas...

A noite que antecedeu o voo foi muito fria e com bastante vento. Na busca por um pouco de conforto Montoya usou seu parapente sobre o saco de dormir para se aquecer dentro da barraca e, sem perceber, embaraçou muito as linhas. Era tudo que não precisava acontecer.

Na manhã seguinte as condições estavam perfeitas para o voo livre: vento fraco, poucas nuvens e a decolagem precisava ser feita o mais rápido possível antes que as nuvens voltassem a cobrir o cume ou o vento ficasse mais forte, o que pode acontecer em poucos minutos. Mas desembaraçar as linhas do parapente levaria tempo, especialmente no cume da montanha com pouco espaço, vento e vegetação enroscando em tudo.

Em um grande ato de altruísmo Myka ofereceu seu próprio parapente para o Montoya ali mesmo, sob a bandeira mais alta do Brasil, abrindo mão de um voo histórico. Montoya aceitou o equipamento do parceiro. Minutos depois o cume foi tomado pelas nuvens.

Voando de parapente sobre a floresta amazonica

No dia 9 de janeiro de 2019, às 6h40, Leandro Montoya decolou de parapente a partir da face leste, direto sobre o vazio acima floresta amazônica, para realizar um voo de aproximadamente 15 minutos, contornando a montanha pelo sul e pousando no platô, a oeste do cume, próximo ao acampamento base. Esta rota foi escolhida porque não há clareiras para pouso na floresta amazônica.

O pouso foi sobre um campo de bromélias, próximo a Bacia do Gelo, a 2.000m de altitude. Assim que tocou no solo, o piloto Leandro “Montoya” foi recebido com festa pelos portadores Yanomami que ficaram no acampamento base.

Depois do grande gesto de amizade ao ceder o parapente, Myka montou a mais alta linha de slackline nas pedras do cume, batendo o recorde dessa modalidade. Foi montada laçando as rochas do cume, sem instalação de base ou qualquer intervenção artificial.

Myka Sam fez montoy a mandou a linha de slackline mais alta do Brasil, no Pico da Neblina

Após muita comemoração pelos dois feitos, a expedição retornou sem surpresas a São Gabriel da Cachoeira, passando pela aldeia de Maturacá.

Segundo Leandro Montoya, “uma viagem ao Yaripo é muito mais que subir a montanha: é passar alguns dias na floresta amazônica, lado a lado com os legítimos donos daquela terra, uma vivência real com a cultura Yanomami, temperado com uma pitada de escalaminhada em rocha no dia de ataque ao cume”. E completa:  “a maior montanha de nosso País está no seio da maior floresta do mundo e muito bem guardada no coração dos homens e mulheres que vivem ali há séculos”.


A partir dessa experiência os interessados em visitar, explorar e conhecer o plano de visitação ao Yaripo, esse importante ponto turístico do Brasil, pode fazer as reservas por meio do site da ICMBio (www.icmbio.gov.br), que também indica os valores. De acordo com os pioneiros dessa aventura, uma viagem desse porte ficaria em torno de R$ 5.000 a R$8.000 por pessoa, sem a passagem aérea até Manaus.

FILMES:

PICO DA NEBLINA 2019 (5min.)




MOHOMIRIWE (16min.)



8 de fevereiro de 2019

Ninho das Águias - RS


Texto e Imagens: Mauro Chies

A rampa




O “Ninho" como é conhecido pelos pilotos locais é a rampa de vôo livre mais charmosa do RS. Fica na Cidade de Nova Petrópolis, na serra gaúcha, distante apenas 37Km da cidade de Caxias do Sul (centro econômico da serra gaúcha), 42Km de Gramado e 95Km de Porto Alegre, capital do estado.
A rampa Norte/Noroeste tem acesso fácil por estrada parcialmente asfaltada e recebe um grande número de visitantes nos finais de semana, em busca do lindo visual e do por de sol incomparável. Sua altitude é de cerca de 700m e tem um desnível de 650m em relação ao pouso oficial do Clube Ninho das Águias de Vôo Livre (https://www.facebook.com/Clubeninhodasaguias/).

S 29°217.30" W 051° 952.86"


A trilha

         Saindo do pouso oficial em direção da Linha Temerária, anda-se por cerca de 3Km por estrada pavimentada até chegar ao início da trilha propriamente dita. Daí para frente são mais 5Km de estradinhas de interior dando a volta na montanha, subindo 650m de desnível, até chegar no estacionamento e na rampa propriamente dita. A estrada não é utilizada por automóveis, apenas bicicletas e eventualmente veículos rurais, tornando a caminhada muito tranquila e prazeirosa.
Há trilhas mais fechadas que levam menos do que as cerca de duas horas de caminhada, porém são mais fechadas e difíceis de seguir sem um guia local. Recomendo a estrada padrão (Linha Temerária).



A decolagem


     A rampa norte do Ninho é muito amigável. Há uma enorme área gramada para checagem do equipamento e uma rampa igualmente gramada, além de contar com uma rampa de concreto muito utilizada pelas asas delta. Há bar e banheiros disponíveis no local.

O voo 
  
  Os vôos na serra gaúcha são um pouco diferentes daqueles das regiões mais conhecidas do país. Não há uma constância tão grande da climatologia (o microclima influencia muito as condições nesta região). Em geral nos meses de outono, inverno e primavera temos as condições ideais para "cross country”", levando em consideração o relevo altamente irregular e a proximidade de grandes cidades com rotas de aviação comercial que devem ser observadas. A térmicas são pequenas e fortes, com descendentes igualmente fortes. Do Ninho voa-se grandes distâncias, para os padrões do Ninho. É uma rampa de montanha exigente que oferece um visual lindo e resgates fáceis devido à boa malha viária.

O Pouso

     O pouso oficial é grande e localiza-se logo abaixo da rampa, dentro de um vale onde geralmente o vento é mais forte. Recomenda-se visitar o pouso antes de ir para a rampa. Conta com estacionamento, banheiros e bar. e é o local de encontro natural dos pilotos de asa e parapente depois de uma tarde de vôo. Há outros inúmeros locais de pouso na área rural que circunda a rampa, ou em caso de emergência, no gramado do estádio municipal da Cidade de Nova Petrópolis.




Videos