26 de setembro de 2016

6 dicas para iniciar no Hike and Fly

Texto: Leandro Montoya
Revisão Técnica: John Betcher e Christian Boettcher
Fabio Ferreira "Pé"arrumando linhas de seu parapente no Pico dos Marins - SP

Introdução


São muitos os benefícios de subir a montanha caminhando até o ponto de decolagem, voce pode conferir e se motivar a praticar essa atividade lendo nosso outro artigo: 5 motivos para praticar Hike and Fly,
O texto abaixo é direcionados para pilotos de parapente formados que desejam iniciar na prática do hike and fly.
Se voce é um piloto iniciante ou aluno, recomendamos que esteja acompanhado de seu instrutor ou companheiros mais experientes para ajudar na avaliação dos riscos da rampa, condições de voo e pouso.

1)      Consiga um parceiro apropriado:

Seria perfeito realizar a primeira expedição hike and fly com pilotos já experientes nessa atividade. Se isso não for possível, procure um parceiro de confiança, disposto e prestativo. Melhor se for um piloto de parapenteou asa, mas não há problema caso não seja.
O parceiro ideal tem alto astral, conhece a trilha para subir a montanha e sabe andar no mato. Ele é capaz de usar um rádio e sabe pedir ajuda rapidamente. Uau, ele tem até treinamento em primeiros socorros!




2)      Escolha a montanha certa:


Para escolher a montanha certa, vamos levar em consideração 2 itens: a trilha e a rampa

A trilha deve apresentar um grau de dificuldade adequado ao condicionamento fisico do piloto. A ideia é caminhar de maneira prazerosa em ritmo confortável. Como referencia, trilhas que exijam até 45min são factiveis para iniciantes.

A montanha certa apresenta um local de decolagem seguro. Abrir uma nova rampa exige uma série de decisões e cuidados, veja mais sobre rampas no item específico mais abaixo.
Nos parece uma boa idéia iniciar o hike and fly no local habitual de voo, basta deixar o carro no pouso e subir caminhando, nas primeiras vezes voce pode pedir para seus amigos levarem seu equipamento no carro deles!

Caso a decisão seja explorar uma rampa fora do local habitual de voo, vale a pena contatar um piloto ou montanhista local, eles tem sempre informaçoes atualizadas e dicas valiosas.

A avaliação das condições de voo e de pouso são as mesmas que em qualquer sitio de voo convencional. O piloto deve ser capaz de realizar uma avaliação autonoma.

Créditos Imagem: Lucas Dantas

3)     Equipamento: alivie peso, mas leve lanche e água

O piloto deve levar apenas itens IMPRESCINDÍVEIS: Velame, selete, paraquedas reserva, variometro, radio e capacete.
Não levar painel de instrumentos, "roubada bag", gabarito, lastro, etc.
Levar lanche reforçado e água abundante, frutas secas  e barrinhas de cereal também vão bem.
A mochila deve estar regulada e precisa ter uma barrigueira.
O vestuário deve contemplar itens de proteção como oculos de sol e luvas e blusa leve.
Hoje em dia há parapentes e seletes apropriados para hike and fly. Eles sao leves e praticos de carregar.
Penso que os pilotos podem comecar no hike and fly com o equipamento convencional e ir comprando equipamentos leves aos poucos. 

Alivie o peso, mas capriche no lanche!


4)      Esteja 100% seguro sobre a trilha

A caminhada é muito mais prazerosa e revigorante para a mente quando o piloto conhece o caminho e está seguro. 
Quando o piloto não está seguro da trilha, aparece ansiedade e gasta-se muita energia com medo de se perder.
Chegar na rampa mentalmente esgotado pode levar a avaliações incorretas.

Portanto, reúna todas as informações possíveis sobre o caminho, converse com os locais ou vá com um amigo que conheça a trilha.
Importante começar a caminhada bem cedo para evitar o sol forte do meio do dia e ter mais tempo na rampa para descansar e avaliar a condição de voo.

Alvaro Pidde preparando-se para decolar no Pico dos Marins, depois de 2,5h de caminhada e 4h esperando condição de voo


5)      Avaliação  da rampa

Decidir o local da decolagem é uma parte MUITO DELICADA  da atividade Hike and fly. Dedique-se nesse tarefa com afinco e sem pressa.
Geralmente os locais de decolagem apresentam mais de uma opção de rampa ou saída. Listamos abaixo os critérios que usamos para determinar a rampa mais segura:

A rampa mais segura é aquela que, nessa ordem:

- Esteja com o vento de frente (ou apenas um pouquinho lateral),
- Não apresente outros morros a frente que possam gerar rotores logo após a decolagem
- Apresente espaço suficiente para abortar 
- Não apresente precipício a sua frente,
- Não apresente árvores altas logo após a decolagem
- Apresente poucos buracos, enroscos, plantas, pedras grandes

Outro desafio é não destruir a mata. Arrancar plantas ou arvores para preparar uma decolagem é inadmissível.


A go pro na cabeça é um risco desnecessário, em caso de colapso as linhas podem se enroscar na camera e agravar o acidenteCréditos Imagem: Lucas Dantas

6)      Esteja pronto para voltar sem voar

Esteja pronto para voltar caminhando se a condição de voo ou decolagem for perigosa.
A preguiça de voltar andando pode fazer voce tentar uma decolagem arriscada.
Para escapar da tentação de " forçar a barra na decolagem", um exercício psicológico pode ajudar:

a)    Pergunte a si mesmo: As condições estão adequadas para minhas habilidades? Se a resposta for não ou se voce titubear,  não decole e volte caminhado. Sempre haverá outra chance de voar.
b)      A caminhada por si só é uma atividade completa. Sinta-se feliz por ter realizado pela caminhada. O voo é a cereja do bolo e não o bolo inteiro.


Notou alguma dica importante que não citamos? Comente!