30 de junho de 2016

Primeiro Voo de Parapente do Parque Nacional do Itatiaia




Hike and Fly no Parque Nacional do Itatiaia

Montanhistas decolaram de parapente pela primeira vez do Parque Nacional do Itatiaia, a mais de 2.600m de altitude. A expedição de nove integrantes, dos quais seis eram pilotos, foi realizada com a aprovação e apoio da administração do parque no dia 16 de junho de 2016 e deu mais um passo em direção ao voo livre de montanha no Brasil.

O Parque Nacional do Itatiaia (PNI) é o mais antigo do país, fundado em 1937 e abriga, protege e organiza a visitação de três das dez mais mais altas montanhas do Brasil: Agulhas Negras (2.791m), Morro do Couto (2.680m) e Pedra do Sino do Itatiaia (2670m). Está localizado entre os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, bem próximo a São Paulo, na Serra da Mantiqueira. A direção do Parque pretende utilizar o relatório desta expedição para apoiar a avaliação de regulamentação deste esporte dentro dos seus limites. 

O local escolhido para a decolagem foi em uma crista próxima ao inicio da trilha do Morro do Couto, em direção ao Vale do Paraíba com linda vista para Serra Fina. 


A expedição e organização 

A expedição foi organizada por João Simonsen, aventureiro e empresário em São Paulo, que também cuidou da articulação junto a administração do parque para obter a autorização para a decolagem: 

- A administração do PNI, na pessoa do Leonardo, foi muito atenciosa desde o inicio do projeto. A maior preocupação deles é garantir a segurança dos membros da expedição, a segurança dos outros visitantes e o mínimo impacto na fauna e flora. - Diz João.

Os requisitos do parque foram atendidos de maneira criteriosa: João convidou apenas pilotos com experiência comprovada em montanhismo e a expedição foi no modelo “hike and fly”, no qual os pilotos carregam seu equipamento até o ponto de decolagem sem ajuda de veículos. Ainda, os pilotos se comprometeram a não arrancar nenhuma planta e decolar na paisagem como ela se apresentasse.

Os membros são de diferentes localidades: pilotos de Monte Verde - MG: John Boettcher e Christian Boettcher, pilotos de São Paulo capital: João Simonsen, Fabio Ferreira, Jefferson Estevam e Leandro “Montoya”, e equipe de apoio e suporte: Bharbara Cavalcante (Monte Verde - MG), Myka (São Bento do Sapucaí-SP) e Dian (Itamonte-MG).

“- Todos colaboraram de alguma maneira. Voamos juntos há algum tempo e já fizemos expedições juntos, inclusive fora do Brasil, então foi muito fácil o entrosamento”. diz John Boettcher



Os detalhes para realizar o primeiro voo do  Parque Naciona do Itatiaia

O planejamento levou meses, a analise prévia mostrou que o relevo do PNI apresenta inúmeros locais com possibilidade de decolagens. Os pilotos avaliaram as áreas próximas ao maciço das Prateleiras e Morro do Couto como as mais indicadas para decolagem com vento sul ou sudoeste e então escolheram datas com previsão de vento favorável a essas direções. Com esse cenário estaria garantido a decolagem em direção ao Vale do Paraíba, o qual apresenta muitas pastagens e campos com vegetação rasteira ideais para o pouso.

Com autorização em mãos, previsão do tempo favorável, equipamentos e malas prontas, a expedição se instalou por 3 dias no Abrigo Rebouças dentro do PNI. O abrigo, recém reformado, tem ótima estrutura com cozinha, refeitório, beliches, banheiros e ducha (fria). Muito frequentado por montanhistas, o clima é sempre de alto astral. O Abrigo Rebouças é disponível para qualquer visitante mediante agendamento prévio no site: http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/reservas-reboucas .


Bem cedo na manhã do dia 16 os pilotos partiram com as malas nas costas rumo as montanhas, eles avaliaram 3 pontos de decolagem: o cume do Morro do Couto; uma laje de pedra voltada para sul próxima ao paredão Luiz Fernando; e uma crista com vegetação de campo de altitude, mais perto do inicio da trilha do Couto.

“- Entendemos que por estar em uma unidade de conservação, nenhuma atividade pode ultrapassar a prioridade de preservação dos recursos naturais, por isso a escolha do local de decolagem prezou a segurança e o mínimo impacto. Nós não abrimos uma “rampa” no Itatiaia, nós apenas usamos uma área natural propícia que já estava lá, não removemos nenhuma planta ou arbusto e evitamos pisoteamento, houve alguma dificuldade com o enrosco das linhas do parapente, mas foi preciso conviver com isso sem conflitar com os objetivos da unidade”. - diz Christian Boettcher.

Myka, montanhista de São Bento do Sapucaí que acompanhou a expedição como suporte, também ponderou a segurança: “os pilotos cogitaram decolar do cume do Morro do Couto, uma rampa natural de pedra, exigente e arriscada, mas optaram pela área de vegetação na crista por ser mais segura”.


O VOO

O voo durou cerca de 30 minutos e seguiu em direção para Vale do Paraíba, você pode conferir as lindas imagens no filme da expedição “Amantikir” disponível em https://vimeo.com/172112054.

“O parapente depende das condições meteorológicas para ganhar altura, então ficamos observando os pássaros e urubus para identificar as zonas ascendentes. Tínhamos esperança de subir e voar sobre o planalto do Itatiaia, mas não foi possível nessa primeira expedição, então voamos direto para o vale”. - explica John Boettcher, o primeiro a decolar.

O pouso foi tranquilo, em um pasto próximo ao km 16 da Estrada Rio - Caxambu, a mesma da dá acesso ao PNI para quem vem da Rodovia Presidente Dutra.



O parapente e as montanhas

O termo parapente tem origem no idioma francês em uma adaptação livre das palavras “parachute”  (paraquedas em inglês) + “pente” (encosta ou declive em francês). O esporte nasceu no final dos anos 70, também na França: montanhistas utilizavam paraquedas adaptados para descer das montanhas após suas escaladas.

O Brasil seguiu um caminho um pouco diferente: a prática do parapente (ou paraglider) se instalou junto a comunidade dos pilotos de asas delta e seguiu o costume de subir ao ponto de decolagem com veículos motorizados.

Por isso, as decolagens de montanhas de acesso apenas por caminhada ou escalaminhada é tardia no Brasil: só para ter referencia, a primeira decolagem de parapente do Mont Blanc, na França, é datada no final dos anos 80.

Para Leandro Montoya, a tendência está ganhando força no Brasil: “A prática do “hike and fly” (caminhada e voo) está crescendo a cada dia, há grupos organizados em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais”.


Além das redes sociais, pilotos se organizaram para difundir informações e pontos de decolagem dessa modalidade em hikeandfly.com.br que já conta com 10 roteiros, a maioria em SP e MG.


VIDEO

Confira o filme da Expedição: "Amantikir":

AMANTIKIR from João Pedro Simonsen on Vimeo.



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