28 de outubro de 2015

Voar de Parapente da Pedra da Macela

TEXTO: ELIAS LOBO -  REVISÃO LEANDRO MONTOYA
Depois do voo vamos pegar uma onda? Foto: Elias Lobo



Introdução


A Pedra da Macela está a 1.800 metros de altitude na divisa dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. No topo da Pedra tem-se uma vista de 360o da região de Cunha e em dias claros avistam-se a Ilha Grande e as baías de Angra dos Reis e Paraty. O desnivel é de 1.830m em um voo lindo na Serra do Mar. 


Estratégia Geral


A Pedra da Macela é um destino de acesso fácil: são apenas 2km de caminhada em estradinha de asfalto a partir do estacionamento do carro. O voo acontece da serra do mar para o litoral, com pouso perto da praia.

O resgate deverá deixar os pilotos perto da rampa e já pode se direcionar para descer a serra pela estrada Cunha-Parati.
Portanto, esse é um destinho hike and fly legal para quem está iniciando, há um trechinho de caminhada, porém o esquema geral do seu dia será semelhante a um dia de voo em rampas comuns, com acesso e necessidade de resgate.


Acesso


Legal, dá para levar o equipo no carrinho! Foto: Elias Lobo
O acesso está na Rodovia Cunha-Paraty, km 65, onde há uma placa para "Pedra da Macela". Daí são mais 4 km de estrada de terra até o estacionamento na porteira de Furnas deve-se seguir a pé por cerca de 2 km em estrada asfaltada. A rampa fica junto a antena de transmissão. 

Pode-se conseguir a chave do portão na Pousada Mercado de Pouso em Paraty Tel.:(24) 3371- 1114 / (24) 3371- 1114./



Condições meteorológicas


O quadrante para decolagem segura é Leste ou Nordeste. Neste dia o vento estava na direção norte com ciclo de rajadas entre 9 a18km /h , espaçado entre 2 minutos entre a máxima e a calmaria que durava 5 minutos.

A decolagem


A rampa fica bem atrás das antenas, é improvisada e contém muitos arbusto que podem dificultar a decolagem. O vôo no local deve ser bem estudado pois é uma área de constante rotor caso o vento não esteja na direção certa(E- NE). 
Consideramos a rampa (Nível II), para um piloto com bom controle de vela a decolagem é sem problemas, já pilotos com pouca ou nenhuma experiência não é aconselhado se aventurar, na frente da rampa há um abismo de 630 metros.

O voo


Vôo deslumbrante pela serra da Bocaina, pousando ao nível do mar, na cidade histórica de Paraty.  
A Geografia é muito interessante e pode se notar um extenso corredor entre as montanhas com 1830 metros e ao fim a praia com muitas ilhas, antes de chegar ao pouso tem montanhas, que com conhecimento em Lift pode se ganhar mais altura.


O pouso e Resgate

WP: -23°07’17.54”, -44°42’33.38”


O pouso oficial, a 9 km da rampa, fica junto estrada Rio-Santos, na praia brava em Paraty.

Depois de pousar, o piloto pode caminhar de volta para rampa (!) em uma trilha seguindo em direção a Pedra Macela, são menos de 4 horas de caminhada. Será preciso ótimo preparo físico.

Nós utilizamos resgate de carro, o motorista resgate saiu da pedra Macela depois que pousamos: levou 40min. de caminhada até a porteira onde estava estacionado o carro, seguindo por mais 1h30min. para Paraty, 70% da estrada com asfalto bom leva 35min, 30% de terra muito ruim leva uns 55min para carros comuns, durante todo o trajeto desta estrada NÃO tem sinal de CELULAR, Recomendável 4x4 para subir.

Uma dica se você estiver com carro comum (1000 cilindradas) a volta é melhor por Ubatuba a Taubaté, só aconselho subir para Cunha se o seu resgate for o Zé Mario, pois ele voltou com um Gol 1000, sem parar nenhuma vez. O cara é bom de lama.

Os pilotos que pousarem na praia Brava é legal pagarem um ônibus urbano (R$3,85 a passagem) que passa de 30 em 30 minutos em direção a Paraty e descer antes da cidade no trevo que vem de Cunha, se seguir por mais 5km em direção a cunha, tem um local para lanche e cerveja gelada.

Outras informações

Guia de turismo Cunha: Nilton Raposo (012)81230117 ou (012)31112035 (011)81670112

Telefones úteis Estancia Climática de Cunha

Hospital Santa Casa: (12) 31111122
Defesa civil: (12) 97401094
Samu: 192
Policia Militar: (12)31111297


Pilotos
Todos de São José dos Campos

Elias lobo (12)91030805 
Vidal (12)97418800
Zé Mario (12)97839551
Adezilio; (12)91393130



















24 de outubro de 2015

Voar de Paraglider no Pico Camapuã - Serra do Mar Paraná

Texto: Hilton Benke. Imagens: Hilton Benke. Revisão e diagramação: Lygia Takayama.

Uau! Dá para ver o mar daqui! Foto: Hilton Benke


Introdução

O pico Camapuã está localizado na porção da Serra do Ibitiraquire, parte norte da Serra do Mar no Paraná. A montanha mais alta e conhecida do conjunto é o Pico Paraná.
Voar na Serra do Mar paranaense não é fácil. Primeiro porque a condição climática realmente não ajuda. Durante a maior parte do ano, chove muito. Segundo pela absoluta falta de pouso... Tem que procurar muito para encontrar algum lugar possível.

Estratégia

Não é necessário mais que um dia para voar nessa montanha. A subida dela é relativamente fácil para quem está acostumado e a trilha é bem demarcada. Em pouco mais de 3 horas é possível estar no topo preparando o equipamento. Mesmo subindo bem lentamente, não levará mais que 4 horas para atingir o ponto mais alto.
Dessa forma, é possível iniciar a caminhada às 8 da manhã pra estar na montanha em tempo hábil para encontrar as melhores térmicas.
O que todos desejam em voar no Camapuã é, em primeiro lugar, conseguir realizar o sonho de atravessar a Serra do Mar, pousando já na porção litorânea do Estado do Paraná. Porém, as condições para realizar este voo não são fáceis de ocorrer. E, tendo em vista isso, a segunda opção é realizar um voo bacana, apreciando a vista da região e descendo a montanha sem grandes esforços.

Melhor época

Se é que existe uma temporada de voo na Serra do Mar paranaense, esta está entre os meses de junho até outubro, quando a ocorrência de chuvas diminui consideravelmente na região. Porém, tecnicamente, os melhores voos serão nos meses iniciais da primavera, quando o sol incide com mais força na região, alimentando melhor as termais. Porém, bons dias existem em todas as épocas do ano, mas a chance de não voar é realmente muito grande.

Quadrantes

O formato do Pico Camapuã colabora com as decolagens.
Foto: Hilton Benke
O topo do Camapuã é quase todo em campos de altitude, que facilitam muito a decolagem. Com vento fraco ou sem vento, a baixa proeminência do seu topo dificulta um pouco, ocasionando decolagens e pousos na rampa em sequência... Mas é possível decolar sim.
O melhor vento na região é o W, porém, é possível decolar desde o quadrante NNW até o SSW.



Ventos e Condições Meteorológicas

A escolha do dia é primordial. Como mencionamos, o melhor quadrante é o W até o NW, então, dê preferência para este vento. A ocorrência de ventos fortes na região é comum, contudo o maior problema é a entrada do vento do litoral à tarde, que vem do E - NE. Este vento é denso e forte, e pode ocasionar problemas, mesmo durante o voo e atrapalhar muito o pouso.
O segredo é embasar seu voo pelas previsões da parte alta da serra, mas sem esquecer da parte baixa, na porção leste. Escolha um dia com pouca umidade relativa no ar e de vento fraco no litoral! Os sites xcskies e mountain forecast ajudam bastante.
Visual do Mar no Cross Country. Foto: Hilton Benke.

Para o cross para o litoral, é importante observar se o vento na região abaixo da Serra do Mar é forte, sua direção e etc. O pouso indicado fica a aproximadamente 13 km de distância da decolagem. Se encontrar vento E - NE moderado durante a travessia da Serra do Mar, o resultado pode ser desastroso, forçando-o a arborizar em meio à mata atlântica. A porção abaixo das montanhas é quase nada explorada, não há fazendas ou pousos possíveis, e pra ajudar, o pouso mais perto visível é abaixo de linhas de alta tensão. Ou seja, só arrisque esse voo se tiver certeza absoluta do que está fazendo!
Já para o voo local, o pouso indicado fica a O da montanha, distante apenas 2,5 km.

Localização e como chegar

Aproveite para por uma biruta no pouso, pouco antes do
estacionamento. Foto: Hilton Benke.

A entrada da trilha fica na Fazenda da Bolinha (atenção: Não chame a proprietária de Bolinha, pois correrá "risco de vida" kkk). É cobrado valor de estacionamento e de entrada, algo próximo a R$10,00 por pessoa (em 2015).
Para mais informações sobre o acesso veja o link  .





Equipamentos

Foto: Hilton Benke.
Além da roupa q estiver vestindo, leve anorak e agasalho. É comum ocorrer chuvas na região sem muito aviso, então esteja prevenido. Se quiser proteger seu equipamento, utilize capa de chuva na mochila!
Atenção ao ultimo ponto para coleta de água!
Foto: Hilton Benke.
Bota para caminhada é essencial. Protetor solar e lanterna devem estar no kit. É possível subir mesmo com aquelas mochilas grandes de parapente, mas o ideal são equipamentos menores, como seletes reversíveis e etc. Evite peso extra... Cada grama a menos ajuda muito na caminhada.

Há água boa constantemente no primeiro terço da caminhada. Quando começar a caminhar por dentro do rio, e este estiver bem pequeno, é hora de pegar água para o restante da caminhada. Acredito que entre 1 a 1,5 litros seja o suficiente.

Caminhada até o Pico Camapuã

Piloto próximo do Pico Camapuã. Foto: Hilton Benke

A subida leva entre 2,5 a 4 horas, dependendo do ritmo de cada um. O início é em mata alta, com pouco sol, acompanhando um vale de rio, que é cruzado diversas vezes. Não é uma subida forte e o ritmo é rápido. Após esse trecho, chega-se num cruzamento, onde deve-se pegar à esquerda e continuar subindo. Se começar a descer forte, você errou a trilha e deve retornar.



Ultimo trecho de caminhada antes da rampa.
Foto: Hilton Benke.
A segunda parte já é na crista SW da montanha. Será em árvores não tão altas, sem água, com a subida apertando um pouco. O final dessa subida são os campos de altitude da montanha, que compõe o terço final da subida. Aqui é onde o bicho pega. Subida forte, constante, sob o sol. Você chegará na cara SW da montanha. Não há uma rampa definida na montanha. Seus campos são baixos e facilitam a decolagem para qualquer vento em todo o quadrante W, desde o N até o S.



O Voo

"Rampa" no Pico Camapuã. Foto: Hilton Benke.
Não importa de onde decole, mantenha seu voo inicial na cara W da montanha! Ou seja, mesmo decolando na face Sul da montanha, já siga na direção W! É lá onde está o pouso em caso de prego e se perder esse, será complicado encontrar outro.

Cara, olha as bases! Foto: Hilton Benke.
As térmicas são abundantes na região. O melhor local é sobre o "Camacuã", um morro de pedra a NW do cume do Camapuã. Tenha cuidado com a potência das térmicas ali... A altitude mínima para tirar para o litoral com segurança, é de 2.300 metros, mas é preciso analisar todos os fatores, principalmente o vento que vem da porção E. Se tirar e quiser desistir, os únicos locais passíveis de pousar são próximos aos cumes das montanhas à E/SE do Camapuã, e exigirão longa jornada para voltar à fazenda que deu acesso à montanha. Recomendamos que se estude muito bem a região e suas trilhas.

Pousos recomendados

Visual de pouso e estacionamento durante o voo. Foto: Hilton Benke.
O pouso "oficial" é ruim, mas existe! Fica cerca de 600 metros antes do portão da fazenda e é altamente recomendado que seja reconhecido antes de se subir a montanha. Durante o reconhecimento, aproveite para colocar birutas (pequenos pedaços de papel higiênico nas árvores e galhos). O vento costuma vir do fundo do vale, à W, e, mais tarde, com predominância E/NE.
Aproveite para ensaiar como pousar no local por diversas vezes. A aproximação deve ser exata e baixa, de forma a permitir um pouso seguro logo no começo da área. Ensaie também o que fazer, caso se ganhe altura no meio da aproximação final.
Caso "tire" para cross em direção ao litoral, recomendamos o pouso ao lado do rio Cacatu, seguindo sentido SE. No local existe um pequena pousada, com piscina e tobogã, que é possível avistar de cima. O pouso é amplo e fácil. Cuidado com o charco.

Vídeos

 Hike and Fly - Camapuã. Vídeo de Hilton Benke. Duração: 7:14 min.

Cross Country - Camapuã / Antonina. Vídeo de Hilton Benke. Duração: 10:35 min.

Log de Voo Pico Camapuã (XC Brasil)


Mais informações, acessos e trilhas da região

http://www.rumos.net.br/rumos/rumo.asp?cdNot=78

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10 de outubro de 2015

Voar de Paraglider no Pico da Onça


TEXTO: Leandro Montoya REVISÃO e INFOS HISTÓRICAS: Auro Miragaia e John Boetcher - Outubro 2015
Pilotos acima dos 2.000m voando sobre o Pedra do Abismo, no Pico da Onça. Imagem: Alvaro Pidde

São 1.236 metros de desnível com decolagem  ao  lado de impressionante face vertical de granito acima do lençol vivo da mata atlântica. Voce está no Pico da Onça, uma clareira na crista da serra da Serra da Mantiqueira. O local era rampa de asa delta no final dos anos 80 e point de camping e trekking de travessia entre SP e MG. Este é um destino hike and fly imperdível com gosto da Mantiqueira e tempero de história do voo livre no Brasil.

Estratégia Geral para voar no Pico da Onça de paraglider/parapente

Uau| Olha o tamanho da crista para "bater um lift" 

O Pico da Onça está entre os distritos de São Francisco Xavier-SP (SFX) e Monte Verde-MG (MV). O caminho de acesso está na Trilha do Jorge, que atravessa a Serra dos Poncianos e liga as duas cidades. Você pode escolher por onde subir.

A decolagem é para o lado sul da serra, isso faz de SFX uma opção mais prática para deixar o carro. Entretanto nada impede os pilotos que escolham subir por MV desfrutem de um dia agradável ao voar para o sul e contar com um resgate, voltar caminhando ou, porque não, voando!

Condições meteorológicas

A direção do vento ideal para se decolar do Pico da Onça é vindo do SUL.  Decolagens com vento SSE e SE também são possíveis e inclusive o lift no Abismo fica mais alinhado. A velocidade, na previsão, deve estar abaixo de 9km/h em SFX. 
A rampa fica coberta pelas nuvens para o lado sul com muita facilidade: o vento sul traz umidade do vale que condensa bem no Pico da Onça, que é a primeira crista da serra da Mantiqueira realmente alta. As vezes o lado norte está aberto e o lado sul coberto de nuvens "represadas" pela serra.
A melhor opção é bater um papo com os pilotos locais de SFX para saber como está o dia.

As Trilhas


Subindo ao Pico da Onça por São Francisco Xavier, pela histórica trilha São Jorge

WP Inicio da Trilha:  - 22°54'7.64"  - 45°59'28.93"
Contato dos Pilotos SFX: Auro Miragaia: 012 3926-1279
OBS: É possível contratar tropeiro (mulas) para levar o equipamento, veja mais abaixo:
Pilotos subindo ao Pico da Onça pela trilha do seu Jorge. Tropeiro leva os equipamentos. Foto: Miragaia / Gabriel

A trilha partindo de SFX sobe a serra pelo lado sul, tem percurso de 4,5 km com inclinação constante e
ascenção de 820m pela Trilha do Jorge,  leva mais ou menos 2,5 horas da fazenda Monte Verde (não confundir com cidade) até o Pico da Onça. Durante a agradável caminhada é possivel avistar macacos Muriqui e há 4 pontos de água, todas potáveis. É virtualmente impossível se perder durante a caminhada, apenas siga sempre a estrada. Quando encontrar a bifurcação do Jorge, siga em frente (pela esquerda). A saida a direita leva a Monte Verde.

Aproveite cada passo, esse caminho tem muita história de vôo livre:

Voce está subindo pela  Trilha do Jorge, o caminho pelo qual os primeiros tropeiros desceram de sul de Minas e fundaram São Francisco Xavier.
O caminho foi transformado em estrada  para automóveis pela prefeitura de São Chico em 1987, ficou aberta mais ou menos um ano e depois foi fechada novamente.
Em 1988 aconteceu um campeonato de asa delta no Pico da Onça (na verdade o nome correto é Pedra da Onça): a estrada foi tomada de fuscas, corcel II e jipes, aproximadamente 50 pilotos participaram.
A verdade é que mesmo antes da estrada os pilotos subiam a trilha de asa deltas de 30kg. Miragaia, piloto local, conta que era preciso 3 pessoas para carregar todo o equipamento.
Miragaia ficou em 3o lugar no campenato de 88 e hoje desenvolve o vôo livre junto de outros pilotos que estão formando a Associação de Vôo Livre de São Francisco Xavier.

Se ficar pesado, as mulas ajudam!

Sim, ainda há tropeiros em SFX! O Sr. Nadir e suas mulas levam seu equipamento até a "rampa". O preço é R$50!

Pilotos de SFX da Esquerda para direita: Sr. Wellington, Zé Mario, Miragaia, Lobinho, Sr. Nadir (tropeiro) e Gabriel 


Bosque dos Duendes: Foto Lygia Takayama

Subindo ao Pico da Onça por Monte Verde

WP Inicio da Trilha:  - 22°52'7.03"  - 46° 1'13.56"
Contato Pilotos MV: John Boetcher: 035 9151-4468

Monte Verde é charmosa cidade de arquitura européia e clima frio, encrustada logo ao norte da Mantiqueira. Tem altitude de 1550m. O Acesso é pela cidade de Camanducaia na rodovia Fernão Dias.

A trilha pelo lado de MV sobe pelo pelo norte, tem 6 km e passa pelo famoso Bosque dos Duendes. Tem inclinação variável mas bastante suave, e leva entre 2 e 3h de caminhada em trilha bem marcada entre a mata.

Estacione o carro próximo a coordenada, ao lado da Missão Horizonte. A trilha começa pegando a esquerda em uma lixeira, acompanhando o limite da missão por uns 5min. e passar uma cerca. Dai as demais referencias são cruzar o riacho, passar pela pedra do Jacaré a direita da trilha, cruzar um segundo riacho e chegar ao inesquecível Bosque dos Duendes. Continue subindo até chegar em uma antiga estrada de acesso ao Pico da Onça. Esse ponto é a bifurcação do Jorge e a dvisisão entre MG e SP. A estrada vem de SFX. Voce deve seguir a direita, subindo, para chegar ao Pedra da Onça.


A Pedra da Onça (ou Pico da Onça)

WP aproximado:  - 22°52'52.26"  - 46° 0'6.59"

Acima das nuvens! Imagem: Jefferson Estevam/Christian Boettcher


Pilotos de SFX no Pico da Onça. Foto: Lobinho
O Pico da Onça é uma clareira na crista da serra que dá visual para o lado norte e para o lado sul. Montanhistas e campistas costumam acampar aqui, embora não seja regulamentado. O visual é incrível, com vista, ao sul, para o Vale do Paraíba e Pedra Queixo d'Anta. Pedra Partida, Plato e outros afloramentos de rocha vistos pelo lado norte.



A Decolagem

Decolagem técnica com saída apertada. Foto: Alvaro Pidde

A rampa é gramada, uma clareira cercada por árvores por todos os lados, exceto pelo ponto de saída para o voo. À frente da rampa há desnível grande e quase vertical.
A decolagem é técnica e parecida com falésia, a vela "pega" o vento "de verdade" apenas depois que já está quase na cabeça. A abertura para saída é um pouco apertada e há arvores também logo a frente e abaixo da rampa, sendo preciso sair com pressão para evitar ralar a selete nos galhos mais altos. A rampa do Pico da Onça é Nivel III.

A turma de SFX tem cuidado e atenção muito especial com o local. Colabore, não deixe lixo ou resíduos, não faça fogo, não interfira na natureza.

A rampa permite uma decolagem por vez, mas há espaço para as velas ficarem preparadas. Foto: Alvaro Pidde

O Voo



Cada piloto é responsável pela decisão da decolagem. Estude bem as condições antes de voar.

Em dia sem nuvens e vento sul alinhado, a opção mais evidente é decolar e virar imediatamente para direita, você vai avistar o "abismo", paredão de granito impressionante onde o lift com mais de 1km de extensão é sempre mais sustentado.

Porém, as melhores térmicas ficam em cima da cidade que funciona como um calderão no meio das serras e mata.

Se optar em decolar e mandar para esquerda,  o vôo se desenvolve por cima da serra da Mantiqueira e você voará acima da Pedra do Dente, ao horizonte estarão Pedra do Baú, São Domingos e outros picos.

O Pouso

WP Aproximado:  - 22°54'36.85"  - 45°57'0.71"

O Clube de voo livre de SFX está negociando 3 locais de pouso, conforme imagem abaixo. Eles estão, para quem vem voando da serra, bem à esquerda da cidade.

O pouso tem uma boa infra instrutura, com acesso fácil para resgate, água e banheiro no casarão. Bem em frente tem uma ambulância de UTI móvel, UPA e UBS com médicos de plantão, posto de gasolina, posto da policia militar e guarda municipal e está a 500 metros do centro com restaurantes, pousadas e mais, assim se torna um destaque em qualidade no Brasil.

Créditos Imagem: Lobinho

Voce pode contratar um guia e resgate

A agencia de atividades de montanha HUT Aventura, em parceria com Multisport Mantiqueira (Monte Verde) e CAT - Centro de Apoio ao Turista de SFX, suporte para expedições de parapente ao Pico da Onça e outros destinos: os pacotes incluem transporte + hospedagem + assistêcia na decolagem + resgate. Acesse www.hutaventura.com.br ou escreva: contato@hutaventura.com.

Videos


Ambos os vídeos mostram a subida pelo lado de Monte Verde.
Gostaríamos de publicar videos com a subida pelo lado de São Francisco Xavier, se tiver nos envie!


Hike and Fly no Pico da Onça - 2:24min - John Boetcher



Hike and Fly Team no Pico da Onça - 8min - Alvaro Pidde




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5 de outubro de 2015

Voar de parapente na Chapada dos Veadeiros

Morro da Baleia na Chapada dos Veadeiros. Foto: Lygia Takayama
Uma notável montanha dá as boas vindas da Chapada dos Veadeiros a todos que chegam ao parque pela GO-239, estrada que liga Alto Paraíso a São Jorge. Lá está, a direita da estrada, o Morro da Baleia, também conhecido como Morro de Engomar. Seja pela beleza e alguma harmonia das formas, seja pelo entusiasmo de chegar a um dos parques mais lindos do país, a parada para apreciar e fazer fotografias é irresistível.

O Guia abaixo mostra como subir, decolar e voar de parapente na Chapada dos Veadeiros, no norte de Goiás, a partir de uma "rampa" natural no col entre a "cauda" e "corpo" da "Baleia". Térmicas fortes e lindo visual esperam você!

Planejamento Geral


O Morro da Baleia está a menos de 30 minutos de Alto Paraíso ou São Jorge, duas das cidades preferidas para hospedagem na Chapada dos Veadeiros. A trilha para subir até a rampa leva menos de 1h. O pouso fica perto do estacionamento e não há complicações para voltar, mesmo em caso de descer caminhando.

A Cachoeira Santa Barbara fica um pouco longe, no município de
 Cavalcante, mas vale a pena! Foto: Lygia Takayama
Portanto, trata-se de um point perfeito para um voo recreativo que você pode encaixar em uma manhã ou tarde vazia durante sua estadia na Chapada dos Veadeiros. Claro que você pode se planejar para engatar um puta voaço, mas isso é uma decisão sua e não uma imposição do local.

Para completar o clima recreativo, tem uma cachoeira a uns 15min. da rampa, então pense no seguinte: estacione, suba, tome um banho de cachoeira e depois voe relaxado, brinque a vontade mas pouse perto do carro para não precisar de resgate. Volte para cerveja e petiscos em algum dos quiosques que ficam perto das cachoeiras

A melhor condição de voo


A decolagem no Morro da Baleia é bem alinhada para NE e E. Também é possível sair para SE. Segundo Raphael Brigato, piloto local, E e NE são os ventos predominantes na região então as chances de voo são grandes.



Cuidado com a Vegetação do Cerrado


A Chapada é linda para uma visita independente do voo livre!
Foto Lygia Takayama
Cuidado extremo com flora. A vegetação do cerrado brasileiro é muito mais frágil do que aparenta. Algumas plantas levam 1 ano para crescer apenas 3mm. Além disso o bioma é suscetível a queimadas. Não faça fogo, não saia das trilhas e, pelo amor de Deus, não arranque plantas para facilitar a decolagem. Isso é crime contra a vida.

Conheça a iniciativa Pega Leve.

O estacionamento e a trilha

Way Point Inicio da Trilha: -14.12916, -47.64178



Para chegar até o início da trilha é um pouco complicado pois não há sinalização. Seguindo pela GO-239 vindo de Alto Paraíso sentido São Jorge, passe o mirante do Morro da Baleia e entre a direita onde há uma placa "Bona Espero" (fica antes do Waldomiro). Siga pela estrada de terra mantendo sempre a esquerda até chegar ao estacionamento. Há duas opções: o primeiro estacionamento é pago e fica bem ao lado do pouso, o segundo fica uns 300m mais a frente e é gratuito. Ambos dão acesso à trilha que é bem marcada até o col do Morro da Baleia.
Quando você chegar ao col, em vez de seguir direto para a evidente rampa à sua direita, siga em frente por mais uns 150m e você vai chegar na cachoeira Bailarina.


O Ponto de Decolagem


Way Point Decolagem: -14.12107, -47.64824

Raphael Brigato decolando no Morro da Baleia na Chapada dos Veadeiros. Foto: Lygia Takayama


A rampa é espaçosa e há um pouco de enrosco no chão. Penso que seja possível abrir até 3 velas. 

Nós decolamos depois das 16:20h e não conseguimos subir. Nosso plano de voo foi decolar e encostar bem na serra para tentar aproveitar o máximo do lift e passar para o corpo ou cauda da baleia, mas não conseguimos e pregamos.
A Rampa é bem espaçosa. Foto: Kalyda

Entretanto, no mesmo dia, nós havíamos decolado e voado a menos de 10km do Morro da Baleia, e perto do meio dia. As térmicas (e descendentes) estavam bem fortes e poderíamos ter engatado um bom voo. 

Decolando da Baleia, a tirada mais evidente seria por cima da GO-239, sendo possível pousar em São Jorge! A vantagem é que a vegetação no Cerrado é menos densa e rasteira, e tem pouso para todo lado.

O Pouso


A área logo a esquerda para quem olha da rampa para o vale é administrada pelo ICMBio e a recomendação é que não se pouse a esquerda da cerca (imagens abaixo). 

Há tanto pouso que destacamos dois apenas por conta da conveniência. O pouso logo após as árvores, no pasto, serve bem para quem quer ir direto para os carros. 

Há um pouso mais a direita e mais perto dos carros, mas é exposto a rotor das arvores e mais apertado.
Há um pouso mais alto, praticamente ao lado da trilha. Ele é um pouco apertado mas pode ser ideal para caso o piloto quiser tentar decolar novamente. Basta pousar ali e subir até a rampa novamente.


Piloto local e onde ficar

O casal Raphael Brigato e  Kalyda Scheicher moram em Alto Paraiso e estão desenvolvendo o voo livre na Chapada. Além do Morro da Baleia eles conhecem outras rampas e dezenas de atrativos na região.
Eles são os proprietários da prática, aconchegante e bem localizada Pousada Alto da Chapada, que fica em Alto Paraíso.

Contatos:
Raphael Brigato: (62) 3446 1907
Endereço: Av Paraiso, Lote 8 Quadra 64, Alto Paraiso - Paralelo a Rodovia GO 118
Facebook da Pousada: (Clique aqui)









1 de outubro de 2015

5 motivos para praticar Hike and Fly



Decolagem na Rampa do Mirante, em Monte Verde. Acesso leva 40 minutos caminhando.
A idéia de subir caminhando até a rampa de decolagem com o paraglider nas costas pode parecer uma grande bobagem a primeira vista: Porque abrir mão do conforto do ar condiconado do automóvel para encarar horas de esforço em uma peregrinação sofrida montanha acima, carregando um peso desproporcional, enfrentando mosquitos, sol e sede?

O curioso, porém, é que a pratica do hike and fly (ou caminhada e voo), na Europa, é extremamente comum e não estamos falando de super atletas no Red Bull XAlps, mas sim de homens mulheres e até senhorinhas!

A verdade é que, dependendo de seu local de voo, a caminhada até a rampa pode ser a melhor opção! Mais prática que a subida de automóvel. 

Entenda porque cada dia mais pilotos de paraglider são adeptos do hike and fly:

1) Atividade física

Hike and Fly não tem idade,, "Sr." Wellington na Rampa da Represa

O voo livre não demanda muita atividade física dos pilotos, os poucos passos do carro até a rampa e aquela corridinha na decolagem e no pouso não serão suficientes para saúde ou boa forma. 

Para complicar, o voo livre é uma atividade que demanda tempo e dedicação, e, portanto, é dificil acoplar uma atividade física em uma rotina já apertada.

Por isso praticar o hike and fly, ou caminhar até a rampa, se torna tão atrativo. Você vai unir o voo de paraglider a um exercício relevante, tornando tudo uma só atividade.

A principio pode parecer muito difícil subir até rampa, porém, insisto, isso é mais um fantasma que uma real dificuldade.

Sabemos que cada rampa tem seu grau de dificuldade / distância / desnível, tornando a subida mais ou menos exigente, entretanto, se a caminhada até sua rampa de voo pode ser completada entre 1h a 2h de caminhada, voce deveria experimentar.

Uma boa dica para começar é pedir para que seus colegas pilotos levem o seu equipamento até a rampa usando o carro, de modo que sua caminhada seja sem peso nas primeiras vezes.

Aos poucos voce vai perceber que uma a duas horas caminhando passa em um piscar de olhos. Há tempo de ver as condição de vôo evoluindo ao longo da manhã, as nuvens se formando, o início do ciclo das térmicas, a força e direção do vento. 

Note bem que você está caminhando para ir voar, esse é melhor estímulo que poderiamos ter não é? O vôo será a cereja no bolo de seu dia, a recompensa depois do esforço.

2) Explorar rampas novas e exclusivas

O Pico da Onça, em São Francisco Xavier, já foi rampa de asa delta, hoje só se chega caminhando. Foto: Jefferson Estevam

Assumido que o acesso até o local de decolagem será caminhado, qualquer montanha se torna, potencialmente, uma rampa de voo. A sensação de liberdade e exploração é super estimulante.

Há dezenas de montanhas e picos que, hoje, são explorados apenas para trekking e escalada em rocha e não há qualquer a razão para não servirem também de rampa para o voo livre. Veja por exemplo, que super bacana o hike and fly no Pico dos Marins, em SP.

Voce terá de usar todo o seu conhecimento de voo livre para escolher a decolagem, o pouso, e executar seu plano de voo. Se essa não for a essência do voo livre, não sei dizer o que seria.

3) Se não der voo, voce aproveitou a caminhada


Que visual! Pena que o vento está forte hoje... Foto: Christian Boettcher
Os montanhistas estão subindo montanhas há décadas apenas pelo prazer de chegar lá em cima. A satisfação de suportar o esforço e superar a subida já é um sentido em si mesmo. O vôo passa a ser o complemento de uma atividade maior e mais recompensadora na montanha.

Nas rampas convencionais, é comum ter tráfego nas estradas, há irritação, demora, gasolina e, se não der voo, seu dia não foi muito legal e terá que voltar, de novo, pelo transito e muvuca.

4) Mais pessoas podem se juntar ao passeio

Nossa quanta gente querendo caminhar até rampa! Foto: Montoya
Convide as pessoas para subir na rampa com voce: fazer uma trilha ou caminhada é uma atividade muito mais interessante do que subir até a rampa de carro.

As pessoas que o acompanhar na caminhada se sentirão parte ativa na aventura e terão o mesmo mérito que voce ao chegar ao local de decolagem.

Pela minha experiência, o fato de os acompanhantes voltarem caminhando sozinhos não é um problema, pelo contrário, em geral eles se concentram em reconhecer bem o caminho de volta e estarem aptos a cumprir sua própria jornada.

Levar esposa, filhos, amigos ou parentes para a rampa se torna uma aventura coletiva mais relevante para todos.

5) Voce não precisa de resgate


Salvo em Governador Valadares e algumas poucas cidades que possuem o ônibus circular até a rampa. A maior parte dos pilotos não se dá conta da vantagem de não precisar do resgate porquê, efetivamente, nunca passaram por isso. 

A idéia aqui é estacionar seu carro próximo a um pouso seguro e imediatamente se tornar autônomo na atividade de voo livre.

Ao acordar pela manhã e dizer: - hoje quero voar! - isso basta para você ir.

Não será necessário chamar algum amigo para dirigir, nem "ver se tem alguém subindo" para pegar carona ou, ainda, não terá que desembolsar uma grana para contratar um motora resgate.
Voce pousa, enrola e vela, entra no carro e é isso!

Essa vantagem não conta para voo de cross country, mas já vai ajudar nos dias de voo em seu local.

Lembre-se que o pouso que voce vai deixar o carro não precisa, obrigatoriamente, ser o pouso oficial da rampa. Quase sempre há pousos alternativos mais próximos da rampa e que servem melhor para essa função.