26 de setembro de 2015

Voar de Parapente no Pico dos Marins

Texto: Leandro Montoya / Setembro 2015

Leia abaixo todas as informações que você precisa para subir, decolar e voar de paraglider no Pico dos Marins, na Serra da Mantiqueira!

Parapentes voando sobre o Pico dos Marins - Créditos Imagem: John Boettcher











Introdução


Apenas na temporada de 2015, três expedições de parapentistas ao Pico dos Marins tiveram sucesso em ascender a montanha, decolar e realizar o vôo sobre os picos acima dos 2.500m. Os pilotos montanhistas fizeram tudo de modo auto-suficiente e ainda produziram 2 filmes (Links no fim da página) curtos com belas imagens!

Esse breve guia explica de jeito prático como foram as expedições, onde estão os pontos de decolagem, a melhor época do ano e dicas do clima ideal para o vôo.


Aproveite e bons vôos!

A estratégia geral


O mais recomendado é reservar dois dias para sua aventura. O primeira dia para chegar ao acampamento base do Pico dos Marins e o outro para subir a montanha e voar.

A vantagem é acordar descansado no abrigo que fica já no início da trilha. Você terá tempo suficiente para aproveitar a caminhada sem ansiedade de perder a melhor condição de voo.

Outra alternativa é chegar e voar no mesmo dia. Neste caso tente se planejar para estar no acampamento base por volta das 6h ou 7h. A caminhada até o cume vai levar entre 3h e 5h.

Melhor época para voar no Pico dos Marins


Os meses que apresentam mais dias com as condições meteorológicas boas para o voo livre na região são de Julho a Setembro.
Para montanhistas em geral, a temporada de visitação recomendada é de maio a setembro e também deve proporcionar dias de voo incríveis. Nos demais meses há grande chance de chuvas e raios, além de as condições mudarem rápido ao longo do dia.

Os quadrantes


O topo do Pico dos Marins permite decolagens relativamente confortáveis para vento vindo das direções W, SW, S, SE, E. NW também é possível. 

Para decolar para N, NW e NE é melhor  caminhar até o outro lado da serra e decolar perto do Marinzinho ou Pico Leste, mais ou menos uns 100m abaixo do Pico dos Marins.



O descnílvel para o Vale do Paraíba (ao sul) é maior


A decisão se voce vai voar para o Norte ou para o Sul deve ser tomada durante a caminhada, assim que alcançar o Platô. Mais abaixo detalhes da trilha e dos pontos de decolagem.



Vento e condições meteorológicas


Escolha um dia com previsão de velocidade do vento muito baixa.

As duas primeiras expedições aconteceram em dias no qual a previsão estava entre 1~3km/h e rajada entre 4~5km/h. Mesmo assim, no cume, a velocidade estava perto dos 20km/h. No momento da decolagem o vento diminuiu bastante porque houve uma inversão na direção, Decolamos com vento entre 5˜7km/h.

Na terceira expedição a previsão era de velocidade entre 5~7km/h, rajadas de 8~9km/h. Porém, na rampa, encontramos ventaca acima dos 27km/h e tivemos que esperar até o meio da tarde, quando o vento diminuiu a velocidade, para conseguir decolar com segurança.

A umidade também deve estar muito baixa para garantir que a base das nuvens seja alta e que o cume não esteja entubado.

Não desanime se quando voce iniciar a caminhada pela manhã o cume estiver entubado, há uma diferença de altitude entre os vales do lado Norte a o Vale do Paraíba (ao sul) e, em uma das nossas expedições, uma neblina espessa passou por cima da montanha por toda a manhã, do norte para o sul. Apenas no meio do dia, as bases subiram e o cume ficou aberto e perfeito para decolagem.

Também aconteceu de o cume estar aberto, mas o Vale do Paraíba, ao sul, estar tomado pelas nuvens formando aquele colchão branco abaixo da rampa de decolagem. Se isso acontecer, não se arrisque a de colar e cruzar “só essa casquinha” de nuvens: há muitos morros e afloramentos de rocha bastante altos, logo abaixo do Marins que podem estar encobertos.


Quando isso aconteceu com o amigo e piloto Fábio Pé, ele avaliou e optou por voar 100% na área sem nuvens e pousar no apertado Morro dos Carecas (detalhes sobre pousos mais abaixo). Outra alternativa é tentar contornar a montanha e pousar no lado norte. O vale ao norte é mais alto e tem menor chance de formar nuvens abaixo dos Marins.

Localização e Como chegar

Localização Campo Base: Clique aqui e veja no Google Maps
Way Point : -22.50867, -45.14929
Contatos Dito - Telefone: (12) 9709 4527

O Pico dos Marins está entre as cidade de Piquete-SP e Marmelópolis-MG, na Serra da Mantiqueira e o acesso se dá pelo Campo base, onde ficam o carro e a infraestrutura.
Partindo de São paulo a viagem leva entre 3h e 4h de carro e fica muito agradável quando começamos a subir a Serra.


Os últimos 15km são por estrada de terra de boa qualidade e com belos mirantes da Serra  e do Vale do Paraíba.

O Campo Base dos Marins



Voce pode dormir no alojamento ou acampar!

Turma pronta para caminhada
O campo base do Marins é bastante confortável para os padrões de um abrigo de montanha: conta com restaurante simples que serve refeições, porções, refrigerantes e cervejas e é permitido cozinhar com seu próprio fogareiro nas amplas mesas de madeira do refeitório. Há banheiros rústicos e chuveiros.

Aproveite o espírito e simplicidade do abrigo. Aconchegue-se em um lugar perto do fogão a lenha do refeitório e aventure-se nas histórias.



É recomendável fazer sua reserva com antecedência pelo telefone: Dito (12) 9709 4527 ou na página do Facebook do acampamento.




Equipamentos: O que levar e o que vestir


A subida ao Pico dos Marins é severa, é importante reduzir o peso da carga ao máximo. Cada grama faz diferença.

O Marins costuma ter temperaturas bastante baixas, porém o esforço da caminhada e a exposição ao sol; fará voce sentir calor e transpirar.
Use camiseta leve e um shorts curto (cuidado para não arranhar as canelas nas pedras e mato) e mantenha uma blusa com fácil acesso para quando voce sentir frio ao parar para descanso.

A mesma blusa, somadaa uma calça e luvas que voce levará na mala vão compor sua roupa de voo. Suba com botas de caminhada que voce também se sinta bem para voar.

Leve uns 2 a 3 litros de água pois o Marins não tem água potável ao longo do caminho. Lanche é indispensável.

Lanterna, protetor solar, rádio, óculos escuros, canivete, celular, cameras e snaks complementam seu equipo.

Sobre os paragliders, a maioria do time usou velas e seletes da SKY, mais leves que as velas comuns, o equipamento completo ficou entre 12 e 15kg. Um dos pilotos foi com a Mentor 3 light e selete light, com peso total do equipo entre 10 e 12kg. Mas também teve um piloto que subiu com Vela e Selete da Sol, com mais de 20kg de equipamento no total.
O peso do equipamento vai atrapalhar ou facilitar, mas é possível fazer a empreitada com qualquer vela. O Mais importante é que sua mochila de equipamento tenha uma barrigueira de qualidade e que voce conheça seus limites e ritmo.

A Caminhada


Inicio da trilha depois do Morro do Careca
O tempo total de caminhada leva de 3,5h a 5h dependendo do ritmo,
A grosso modo, a trilha de subida passa por 3 estágios: Morro dos carecas, Platô e Cume dos Marins ou Decolagem Norte
A orientação requer bastante atenção nos trechos de pedra, as marcas são sutis e os típicos totens de pedras empilhadas para mostrar o caminho são um pouco confusos.
Se voce tem experiência em caminhadas e trilhas, pegue umas dicas com o Dito no abrigo e siga confiante. Se voce é realmente inexperiente, contrate um guia.

Morro dos Carecas

O trecho até o Morro dos Carecas passa por uma trilha em meio a mata atlântica seguida por uma estrada desativada, tem inclinação leve e na maior parte do tempo tem proteção contra o sol.


Olha o Marins lá no fundo! Imagem Jefferson Estevam

O trecho do morro dos Carecas até o plato  inicia no meio da mata mas rapidamente passa para área aberta com pisada sobre a rocha, inclinação  mais severa e exposto ao sol.



Atenção: O Morro dos Carecas pode ser usado como pouso de emergencia ou se voce estiver sem resgate, então aproveite para notar bem os limites e pontos de referencia.

O Plato


Pilotos descansando no plato. Créditos Christian Boettcher
O plato dos Marins é uma área plana entre diversos cumes (Marins, Maria, Mariana e Marinzinhoou Pico Leste). Muitas expedições acampam aqui. Voce deverá fazer a decisão se segue para o Pico dos Marins ou para o ponto de decolagem norte, próximo ao Marinzinho.

Pico dos Marins


Do Plato ao Cume dos Marins voce enfrentará uma subida em rampa de pedra com inclinação bem alta e extensão longa, algumas pessoas preferem subir com ajuda das mãos. Suba devagar e com pisadas firmes, se voce sentir medo, encoste-se na parede e respire, voce vai notar que não há perigo de cair, basta manter o centro de gravidade perto da pedra.
Pilotos Fábio Pé, Jefferson Estevam, John Boettcher e Leandro Montoya preparando a decolagem. Créditos imagem Leandro Montoya
Cume do Pico dos Marins a 2.420m. Olha essas nuvens cara! Créditos Imagem John Boettcher


Decolagem SUL - Pico dos Marins


O Pico dos Marins é relativamente plano e amplo, voce poderá escolher o  melhor ponto de decolagem e comer um lanche enquanto vislumbra o visual incrível do vale do paraíba, serra da bocaina, Pico do Itaguaré, Pedra Redonda (bolinha), Pedra da Mina, Serra da Bocaina e a continuidade da Serra da Mantiqueira. Relaxe e contemple que voce vai decolar acima dos 2400! É a montanha mais alta inteiramente dentro do estado de São Paulo e a 26a mais alta montanha do Brasil. Uhhu!

A rampa é espaçosa e é possível decolar para todo o quadrante sul, de E a W. Imagem Leandro Montoya
Parapente de Jefferson Estevam sendo preparado para decolagem SUL. Créditos Imagem John Boettcher


Decolagem NORTE - próximo do Pico dos Marinzinho

Localização decolagem Norte: Clique aqui ver no Google Maps
WP: -22.49396, -45.1213


Se voce optar para decolar para o lado norte, o caminho é um pouco mais complicado. Não há uma trilha definida e o ponto de decolagem que utilizamos não é frequentado pelos montanhistas. O que fizemos foi varar a mata rasteira subindo por um lomo pouco antes do Marinzinho até sairmos no abismo da face norte, encontramos um ponto de decolagem difícil e nos arranjamos por ali.
Podem haver outros pontos de decolagem para Norte, explore!

A trilha para decolagem norte não é marcada. Nessa foto, o Pico dos Marins está seguindo a direita. Créditos Imagem Leandro Montoya
João Simonen se prepara para decolar na "rampa" Norte. Créditos Imagem: Jophn Boettcher

O voo

Leva um tempo para assimilar as dimensões bíblicas lá de cima.

Um plano voo top é ganhar altura na frente da rampa até a base da nuvem e seguir até Passa a Quatro, sobrevoando toda esse trecho de Serra da Mantiqueira!

Outro objetivo bacaníssimo e menos comprometido é voar sobre a serra até a Pico do Itaguaré. A caminhada Marins-Itaguaré é uma das travessias mais clássicas e queridas do montanhismo brasileiro e faze-la voando é um privilégio.


Mesmo se a condição permitir apenas o lift na encosta, voce voar em paredões vertiginosos repletos de grotas, maciços e catedrais de granito puro.
No pior dos casos, será um voo prego super gratificante e com a sensação de dever cumprido.


Créditos Imagem: John Boettcher

O Pouso

Há dezenas de opções de pouso para parapente Norte e para o Sul de modo que isso certamente não será um problema.

Pouso Norte

Localização Pouso Norte: Clique para ver no google Maps
WP:  -22.47051, -45.14321

Quando voamos para o lado norte, escolhemos pousar em um morrote destacado no vale. Além de fácil de ser visualizado, ele está bem isento de rotores e permite aproximação por todos os lados.
Caminhando para SO, em direção a casinha da fazenda, voce terá acesso a estrada que vem direto do acampamento base, sendo o resgate bem rápido e fácil.

A estradinha logo abaixo do pouso, a esquerda da ponta da bota, leva até o Campo base do Marins. Créditos Imagem Leandro Montoya

Pouso Sul

O Sul é repleto de pouso já bem perto da base dos Marins. Optamos por pousar no Bairro dos Marins, pela facilidade do resgate. Do alto voce poderá ver a estrada de terra que desce para Piquete, basta escolher um pasto.
Há uma infinidade de pouso para o lado sul. Imagem John Boettcher

Pouso Morro dos Carecas (emergencia ou sem resgate)

Localização Morro dos Carecas: Clique para ver no Maps
Way Point: -22.50188, -45.13968

Se voce estiver sem resgate, uma alternativa é pousar no Morro dos Carecas e descer o restante da trilha até o acampamento base. O Morro dos Carecas é bem pequeno e fica em uma baixada entre o lado norte e o lado sul da serra, com possibilidade de venturi. Dois pilotos do grupo já pousaram lá com sucesso, mas é perigoso e não recomendado.
O pouso é apertado e perigoso, mas a descida do Morro do Careca até o carro no acampamento base leva apenas 30min. Crédito imagem Leandro Montoya 

Hora limite de retorno

Como sabemos, pode acontecer de não dar voo e ser preciso retornar caminhando.

Não se preocupe, isso também acontece com montanhistas, muitas vezes não é possível chegar ao cume por conta do tempo que virou ou qualquer outro motivo.

O mais importante é retornar ao acampamento base em segurança, pois passar uma noite nos Marins sem equipamento adequado é uma roubada e realmente perigoso. Faz muito, muito frio (-4 no inverno).
Nós sugerimos um horário limite de decolar até as 15h ou iniciar o retorno que deve levar entre 2h e 3h e assim chegar ao acampamento base antes do escurecer.


Voce pode contratar um guia e resgate

A agencia de atividades de montanha HUT Aventura oferece roteiros especiais para expedições de parapente ao Pico dos Marins e outros destinos de aventura: os pacotes incluem transporte + hospedagem + assistência na decolagem + resgate. Acesse www.hutaventura.com.br ou escreva: contato@hutaventura.com.


Os Filmes!


 
              Marins Face Sul - 6min.


       Marins Fora do Padrão -12min.

Novos Vídeos disponíveis!


Marinshu Picchu from João Pedro Simonsen on Vimeo



PreguinhoForadoPadrão-AlvaroPidde

9 comentários:

  1. Parabens Montoya e a Todo o time Hike end Fly Brasil... Galera Tooop!!!

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    1. Faltou voce nessa trip Alvaro Pidde! Precisamos voltar lá!

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  2. que show este dia eu estava fazendo a travessia Marins itaguare e vi vcs decolarem eu estava na pedra redonda, foi demais ver vcs... parabéns

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    1. Que legal Matheus, parabéns vocês também pela travessia!

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  3. Iniciei no paraglider em 1990, a brincadeira tinha começado com montanhistas mas, naquela época, estava cada vez mais indo para o lado contrário, com equipamento cada vez mais pesado e decolagens só de onde se chega de carro. Até fiz uns voinhos de montanha, como do Pico do Papagaio, em Aiuruoca-MG, mas parecia que eu estava na contra-mão da história.
    Agora a direção mudou de novo, parece que o voo de montanha no Brasil vai decolar. Estou com um Himalaya da Airwave, com mochila que reverte em selete. Meu reserva pesa mais que a vela, rsrsr!
    Parabéns pelos voos, pelo blog e muito obrigado pelas informações!
    Stefan Semenoff

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    1. Semenoff, grato pelo comentário, adoraríamos conhecer suas histórias de pioneirismo.

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  4. Cara, vlw a companhia esse dia. Que belo dia de vôo entre irmãos :)

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